Padre Domenico de Cese:

o apóstolo da Sagrada Face de Mannopello

 

Sagrada Face de Manoppello.

“[…] a vossa face, ó Senhor, eu a procuro.

Não escondais de mim vosso semblante,

não afasteis com ira o vosso servo.

Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis.

Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador”.

Sl 27, 8-9.

 

A história do Padre Domenico da Cese está intimamente ligada à Sagrada Face de Manoppello. A tradição, conservada na região italiana do Abruzzo desde o século XVII, narra a chegada de um peregrino desconhecido, mas muito simpático, que entregou um pequeno pacote ao físico e doutor Giacomo Antonio Leonelli. Dentro continha a imagem da Sagrada Face de Nosso Senhor. Extremamente comovido, o doutor Leonelli, após se recompor, percebeu que havia perdido de vista aquele misterioso peregrino. Testemunhas presenciaram a sua entrada na Igreja Matriz de São Nicolau de Bári, mas jamais o viram saindo. Dele só ficou a lembrança da sua aparição e também do seu conselho ao doutor Leonelli para que tivesse em grande conta uma devoção àquela relíquia, pois assim receberia de Deus muitos favores e prosperidade tanto nas coisas temporais quanto espirituais.

Marzia Leonelli herdou do pai o santo véu. Vendeu-o ao senhor Donato Fabritiis, que imediatamente o doou aos capuchinhos de Manoppello. Os frades conservam até hoje, com muita devoção, aquele finíssimo tecido que, segundo recentes pesquisas iconográficas com scanners de alta resolução, é composto por fibras lisas e impermeáveis e, tecnicamente, jamais poderia ter sido pintado. Parece que sobrou apenas a possibilidade de a imagem ter sido feita por descoloração do tecido, mas a dificuldade é, de fato, explicar como seria possível conseguir um desenho tão preciso e detalhado com semelhante técnica.

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Padre Domenico em oração diante da Sagrada Face

O véu santo de Manoppello, que se encaixa perfeitamente quando sobreposto ao rosto do Sudário de Turim, é hoje guardado e venerado em um relicário exposto no altar da igreja de São Miguel Arcanjo de Manoppello, diante do qual o Padre Domenico passava a maior parte do dia. Ele foi um dos maiores e talvez o mais apaixonado divulgador da Sagrada Face de Manoppello. Quem o conheceu garante que ele identificava aquele rosto marcado no véu com o de um desconhecido que o salvou, quando criança, do terremoto que destruiu a sua cidade natal, Abruzzo, em 1915, uma tragédia que vitimou grande parte dos moradores e também a sua pequenina irmã.

É indispensável falar, ainda que brevemente, de um encontro extraodrinário entre o Padre Domenico e um outro capuchinho devoto da Sagrada Face: São Pio de Pietrelcina. Os peregrinos que iam de Abruzzo a São Giovanni Rotondo apenas para vê-lo, ouviam-no dizer: “Não entendo por que vêm de tão longe para me ver, se têm o Padre Domenico tão perto”.

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São Pio de Pietrelcina

Mas no começo da manhã do dia 22 de setembro de 1968, pouco antes de subir ao Céu, Padre Pio fez o caminho contrário, ainda que de forma sobrenatural, para venerar a Sagrada Face e despedir-se de seu companheiro de estigmas e bilocação. O curioso é que, mais de uma década passada, um atento telespectador de um certo canal da TV italiana, revendo as imagens do cortejo fúnebre do santo de Pietrelcina, identificou o Padre Domenico entre os fiéis, rendendo homenagem ao seu ilustre amigo que partia, ainda que diversas testemunhas garantam que no mesmo momento ele também se encontrava no confessionário da igreja de São Miguel de Manoppello, há 150 quilômetros dali.


Fenômenos místicos extraordinários que ocorriam com esses dois extraordinários homens de Deus. Porque “ao nos revelar sua vida íntima e os grandes mistérios da graça e da glória, Deus nos faz ver as coisas, por assim dizer, desde o ponto de vista divino, tal como Ele as vê. Faz-nos perceber harmonias totalmente sobrenaturais e divinas, que jamais poderia chegar a perceber naturalmente nenhuma inteligência humana ou angélica” (Pe. Royo Marín, Ser santo ou não ser… eis a questão, p. 179, Ecclesiae, 2016). Delicadezas de Deus para conosco: mostra-nos a sua face num misterioso ícone marcado num frágil tecido; e a sua glória em dois simples frades capuchinhos.

 

Diogo Chiuso


Conheça mais sobre a vida do Servo de Deus:

Biografia do Padre Domenico de Cese,

scrita pelo Pe. Eugenio Di Giamberardino: