O Padre Arintero e uma geração de Santos

santomera_madre_esperanza_retrato_a_la_edad_de_23_anos

Bem-aventurada Esperança de Jesus, nos anos da sua juventude

A santidade foi a paixão, o motor da vida do Padre Arintero. A união com Deus foi o desejo mais profundo de sua alma. Toda sua obra escrita, mas também seu trabalho como diretor de almas, foi consagrada a “preparar os caminhos do Senhor”.

 Sua santidade, foi de alguma maneira, paternal. Deus lhe deu numerosos filhos e filhas espirituais[1], ou santas colaboradores, tal como a Madre Esperança de Jesus (1893-1983), fundadora do Santuário do Amor Misericordioso em Collevalenza (Itália), que foi beatificada em 31 de maio de 2014. Mas muitos outros exemplos podem ser acrescentados, como os que seguem:

Duas jovens

Sua descoberta da teologia mística esteve ligada a direção das monjas dominicanas de Cangas de Narcea [nas Astúrias, na Espanha] e particularmente da Irmã Pilar Fernández Berdasco, que morreu com só vinte e quatro anos. Sua descoberta da mística, cara a cara, foi para ele uma revelação, um chamado de Deus.

Mas tarde, ele encontrou àquela que foi chamada la Santina, Irmã Maria da Rainha dos Apóstolos, da Sociedade de Maria Reparadora, morta ela também com 24 anos. Ele acompanhou essa alma oferecida à Deus, em sua dolorosa noite, até a União. Essa jovem, que ele conheceu desde sua infância, e a obra da graça em sua alma, tocaram profundamente o Padre Arinteiro. Ele foi testemunha de seu profundo amor a Deus. Em toda sua obra escrita, ele faz várias referências a essa jovem religiosa.

 A italiana

marcucci6

Venerável Madre Madalena de Jesus Sacramentado, passionista

A Venerável Madre Madalena de Jesus Sacramentado é certamente a maior escritora mística passionista do século XX, pela importância de sua obra escrita e pela variedade de estilos: artigos de espiritualidade publicados na Revista “La Vida Sobrenatural”, seus escritos íntimos, suas biografias e ainda muitos outros escritos .

Ela foi profundamente marcada pelo ambiente espiritual do mosteiro passionista de Lucca [na Toscana, na Itália], na qual entrou na vida religiosa, pela memória de Santa Gema Galgani (1878-1903), pela direção espiritual do Venerável Padre Germano de Santo Estanislau e a formação da Madre Josefa.

Na Espanha, ela encontrou no Padre Arintero, que foi o mesmo tempo, seu pai espiritual e o irmão de sua alma. Essa união foi tão forte que, em seus escritos, ela assina: “Passionista-dominicana”. O Padre Arintero abriu sua alma ao caminho que Deus tinha para ela, seu caminho de “Apóstola do Amor” e como escritora.

Ele a conduziu, não por seus próprios caminhos, mas pelos caminhos que Deus tinha traçado para ela. E ela mesma ajudou ao Padre Arintero a crescer nessa vida do Amor: “Minha missão sobre a terra e no céu será pedir pela santificação das almas”,  escreve ela. A Santidade é Amor, esse é o moto centro da espiritualidade da Madre Madalena.

Essas duas almas se uniram em um mesmo ideal: fazer conhecer a vocação universal a santidade. Ela escreveu em seu Testamento espiritual: “Todos os átomos do meu pobre ser sejam outras tantas vozes que gritam: Amor, Amor, Amor! Deus é amor.” Seu processo de beatificação está bem avançado. Após a declaração da heroicidade de suas virtudes, esperamos senão um milagre para beatificação.

A fundadora

Venerável Madre Amparo do Sagrado Coração

A Venerável Madre Amparo do Sagrado Coração (1889-1941) foi uma das maiores místicas espanholas do século XX, e certamente uma das figuras mais importantes da Ordem de Santa Clara.

Alma chamada à grande união com Deus, após um doloroso período de busca de Sua vontade, entrou no mosteiro do Corpus Christi de Salamanca.

Ela teve que superar numerosas provas, e uma das mais difíceis foi a total incompreensão de que foi objeto. Ela encontrou o Padre Arintero durante um período muito difícil. Ele foi seu Pai espiritual, conduzindo-a no caminho da União. Madre Amparo viveu um caminho espiritual cheio de graças extraordinários, que ela soube sempre ocultar, tais como sua união a Paixão de Cristo, isto é, os estigmas.

O Padre Arintero foi, com a Madre Amparo, co-fundador do Mosteiro do Sagrado Coração de Cantalapiedra (Salamanca): um fundador dominicano de um mosteiro de clarissas. Esse mosteiro foi desejado por Nosso Senhor para oração, adoração e reparação. Ainda hoje, acolhe muitas vocações. As religiosas são atualmente cinquenta e cinco.

O Padre Arintero procurava simplesmente a vontade de Deus. Tal foi a união do Padre Arintero com esse mosteiro, que é onde se encontra seu sepulcro, ao lado da Venerável Madre Amparo. Após a declaração das virtudes heroicas dessa, esperamos igualmente somente um milagre para sua beatificação.

Os Santos

Uma das principais características do pensamento do Padre Arintero foi sua compreensão do papel da intuição dos santos para o desenvolvimento teológico. Em suas obras, ele cita abundantemente os grandes teólogos, mas também os grandes santos e santos e os grandes místicos.

Como diretor espiritual e como pregador de retiros, teve ocasião de encontrar muitas almas santas, como as que dissemos. Ele tirou do esquecimento numerosas figuras da tradição mística, mas igualmente estudou numerosas figuras contemporâneas. Muitas de seus filhos e filhas, nos claustros ou no mundo, foram publicados por ele sob um pseudônimo.

A Visitação

O Padre Arinterio teve vínculos muito estreitos com a Ordem da Visitação, seja como diretor espiritual, seja como propagador de sua espiritualidade. Em particular, foi propagador, na Espanha, da espiritualidade da Serva de Deus Irmã Benigna Consolata, visitandina italiana (1885-1916), que recebeu numerosas comunicações de Jesus. Esses foram publicados sob o título de Vade-mecum, com o pseudônimo [sugerido pelo próprio Jesus]:um Piedoso autor.

Uma atenção toda particular deve ser consagrada a Madre Maria Teresa Desandais (1876-1943) e a Obra do Amor Misericordioso. Essa mística visitandina francesa, de fato, influenciou muito a vida e os escritos do Padre Arintero, sobre o tema da Misericórdia e sobre aquele de Maria Medianeira.

A concepcionista

Serva de Deus Madre Sorazu, O.I.C.

A Serva de Deus Madre Maria dos Anjos Sorazu y Aizpurúa (1873-1921), religiosa da Ordem da Imaculada Conceição, foi uma das maiores místicas do século XX.

Seus escritos foram comparados por D. Baldomero Jiménez Duque (1911-2007), ele mesmo considerado como uma das figuras mais importantes da espiritualidade de nosso tempo, aos textos de Santa Teresa de Ávila e de São João da Cruz. Ela é, diz ele, “sem disputa, o caso mais interessante da escritora mística da Espanha no tempo atual e uma das primeiras de todos os tempos” [in Revista Española de Teología, 12 (1952), p. 299].

A experiência espiritual da Madre Sorazu – segundo o P. M. Llamera, o.p. – é  mais importante que conhecemos desde Santa Teresa de Jesus até nosso dias” [in “Teología espiritual” 7 (1959), p. 166].

Ela foi filha espiritual do Padre Mariano de Vega de Espinareda (1871-1946), capuchinho, grande diretor espiritual, que dirigiu igualmente a Madre Celina do Menino Jesus (1910-1962), clarissa, cujo processo de beatificação foi aberto em 15 de novembro de 2012, pelo bispo de Astorga (Espanha).

Após diversas dificuldades e mal-entendidos, essa direção entre o Padre Mariano de Vega e a Madre Sorazu, foi interrompida contra a vontade deles. Ela se volta ao Padre Arintero a fim de pedir-lhe conselho.

O Padre Arintero a conhecia e admirava. Um dia, ele lhe entrega sua obra intitulada Cuestiones Místicas. À leitura do Prólogo desse livro, ela considerou que era necessário acrescentar um apêndice sobre a falsa mística, a fim de ajudar as almas. O Padre Arintero, convencido, então a convidou a escrever sobre esse tempo. Entretanto, ela não o fez.

O Padre Arintero escreveu o prólogo da edição da La Ovejita de Maria Inmaculada, um pequeno escrito sobre a vida religiosa e a consagração mariana.

A Madre Sorazu foi uma mística mariana e trinitária, que recebeu grandes luzes sobre a vida unitiva. Seus escritos sobre a Santíssima Virgem foram recolhidos pelo P. Nazario Pérez, s.j., sob o título Opúsculos marianos (Valladolid 1929)

 O Padre Arintero utilizou muito, em citações, suas luzes sobre a Sagrada Escritura, em particular em seu grande comentário El Cantar de los Cantares, exposición mística (Ed. San Esteban, 1925, 634 p.). os principais comentários bíblicos da Madre Sorazu foram publicados com o título Exposición de varios pasajes de la Sagrada Escritura (Salamanca 1926).

Disponível em: http://arinteriana.fr/


[1] “Dos meios utilizou, principalmente, dois meios na direção espiritual: as cartas, em proporções que hoje nos assombram, e a visita anual que procurava fazer as pessoas mais necessitadas de ajuda. O primeiro meio supunha reservar várias horas diárias a esse trabalho, ainda que ele tratava de reduzir o tempo efetuando previamente uma leitura sublinhada dos escritos que recebia. No Processo de Beatificação, foram recolhidos 820 fólios de cartas. (…) O segundo meio requeria humildade, sacrifício, paciência e competência para suportar a numerosos desprezos e incompreensões. “Se não amasse tanto a tua alma”, diz mais de uma vez o Padre Arintero à sua discípula, não viria visitar-te, pois só percebo dissabores”. Bela imagem a de Arintero distribuindo seus dias em jornadas itinerantes, como Quixote do divino, para falar de Deus aos que já lhe amam e querem amar mais”.  (Familia dominicana, vol. III, Estampas de místicos, par Aa.vv, Ed. Ope, 1986, p. 163).