O ESPÍRITO SANTO

(…) quão numerosas são as inefáveis relações que a alma justa tem com o divino Espírito; cuja obra misteriosa não é possível manifestar com palavras, porque não cabe sequer em conceitos humanos; só pode deduzir-se ou adivinhar-se em certa maneira pelos singulares títulos que Ele mesmo, pela boca dos profetas e santos, continuamente se atribui.

Ele é Amor pessoal, a Caridade de Deus, a Paz do Senhor que deve estar sempre conosco, a Santidade hipostática e santificante, a Graça incriada, a Unção divina, o Selo de Jesus Cristo, o Espírito de Adoção e de revelação, criador, renovador, regenerador, vivificador, iluminador, consolador, diretor e transformador das almas; e assim é o grande Dom por excelência. “

(ARINTERO,  J.G. Evolución Mística, 1ª. Parte, Cap. II, Art. 6.°, § IV)

 

CONSAGRAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO

Sugerida e divulgada pelo Servo de Deus Padre Arintero

“Ó Espírito Santo, laço divino que unis o Pai com o Filho, em um inefável e estreitíssimo laço de amor! Espírito de luz e de verdade, dignai-vos derramar toda a plenitude de vossos dons sobre minha pobre alma, que solenemente vos consagro para sempre, a fim de que sejais seu preceptor, seu diretor e seu mestre. Vos peço humildemente fidelidade a todos vossos desejos e inspirações e entrega completa e amorosa a vossa divina ação.

Ó Espírito Criador! Vinde, vinde a operar em mim a renovação pela qual ardentemente suspiro; renovação e transformação tal, que seja como uma nova criação, toda de graça, de pureza e de amor, com a que inicie, de verdade, a vida inteiramente espiritual, celestial, angélica e divina que pede minha vocação cristã.

Espírito de santidade, concedei a minha alma o contato com a vossa pureza, e ficará mais branca que a neve! Fonte sagrada de inocência, de candor e de virgindade, dai-me de beber de vossa água divina, apagai a sede de pureza que me abrasa, batizando-me com aquele batismo de fogo cujo divino batistério é vossa divindade, sois vós mesmo! Envolvei todo meu ser com suas puríssimas chamas. Destruí, devorai, consumi nos ardores do puro amor tudo que haja em mim que seja imperfeito, terreno e humano; tudo que não seja digno de vós.

Que vossa divina unção renove minha consagração como templo de toda a Santíssima Trindade e como membro vivo de Jesus Cristo, a quem, com maior perfeição ainda do que até aqui, ofereço minha alma, corpo, potências e sentidos, com tudo que sou e tenho.

Feri-me de amor, ó Espírito Santo, com um desses toque íntimos e substanciais, para que, a maneira de flecha incendiada, fira e transpasse meu coração, fazendo-me morrer a mim mesmo e a tudo o que não seja o Amado. Trânsito feliz e misterioso que só vós podeis operar, ó Espírito divino, e que anseio e peço humildemente. Qual carro de divino fogo, arrebatai-me da terra ao céu, de mim mesmo a Deus, fazendo que desde hoje habite já naquele paraíso que é seu coração.

Infundi-me o verdadeiro espírito de minha vocação e as grandes virtudes que exige e são penhor seguro de santidade: o amor a cruz e a humilhação e o desprezo de todo o transitório. Dai-me, sobretudo, uma humildade profundíssima e um santo ódio contra mim mesmo. Ordenai em mim a caridade e embriagai-me com o vinho que gera as virgens.

Que meu amor à Jesus seja perfeitíssimo, até chegar a completa alienação de mim mesmo, àquela celestial demência que faz perder o sentido humano de todas as coisas, para seguir as luzes da fé e os impulsos da graça.

Recebei-me, pois, ó Espírito Santo, que totalmente e completamente me entrego a vós. Possui-me, admiti-me nas castíssimas delícias de vossa união, e nela desfaleça e expire de puro amor ao receber vosso óculo da paz. Amém”.

[“Ignoramos quem seja o autor dessa preciosa oração. Costumava propagá-la entre as almas seletas o santo Padre Arintero, O. P., fun­dador da revista «La Vida sobrenatural» e morto em Salamanca em 20 de fevereiro de 1928, em odor de santidade. Está já introduzida em Roma a causa de sua beatificação. Ignoramos se a Consagração ao Espírito Santo a escreveu ele mesmo ou a recebeu de alguma das grandes almas que ele soube dirigir até os cumes da santidade”. Cf. ROYO MARÍN, Antonio. El Gran Desconocido. El Espíritu Santo y sus dones. pg. 229-230 ]