As doze propriedades da União Divina

Serva de Deus Madre Maria Angélica Álvarez Icaza

“Noto doze coisas muito particulares na divina união: A primeira é que ocorre quando menos a alma espera, a colhe sempre improvisadamente, sem pensar, prontamente Deus a toma e a une consigo de maneira inefável. Algumas vezes me recorda em sua maneira de apresentar-se a morte, que vem quando se está mais descuidado. Isso também prova o poder do Senhor que como soberano absoluto e como soberano de amor toma a alma quando quer.

A segunda é que essa união divina sempre parece nova à alma. Nem a frequência com que a recebe, nem a fruição com que a goza, nem nada faz com que se habitue, por assim dizer, a essa união inefável e a surpreende seja, como se diz antes, por ser improvisadamente, seja porque é tal em sua variedade inefável, que para a alma é sempre nova. Tem um sabor da glória e da bem-aventurança do céu onde os próprios gozos intermináveis, sempre parecem novos aos Bem-aventurados.

A terceira é a segurança que recebe a alma nessa inefável união de que é Deus que a toma e junta consigo; tem já tão conhecidos os ósculos santos do Senhor, os abraços amorosos de seu Esposo, as divinas carícias de Deus, que sentindo-as em êxtase de amor, se abandona entre os braços de seu divino Amante e exclama: ‘Dominus est”. (É o Senhor).

A quarta é o desprendimento que experimenta a alma de toda criatura, porque nessa inefável união perde de vista as baixezas da terra e ficando cega para as coisas do mundo, somente tem olhos e coração para Deus.

A quinta é o efeito que produz na alma essa inefável união: é um inflamar-se no amor divino, uma arder em suas chamas sagradas, que o Espírito Santo tem que fazer particularmente sombra e temperar com seu sopro suave o fogo de acidentes tão divinos, porque sem esse socorro não o poderia sofrer um peito humano.

A sexta é a humilhação profunda que causa na alma essa inefável união, lhe produz um aniquilamento incomparável.

A sétima é o gozo soberano e divino que dá à alma essa inefável união embargando-lhe seus sentidos e potências e roubando-os de maneira que nada é capaz de fazê-la sofrer porque é tanto o bem que goza que não deixa lugar as dores, amarguras e lágrimas e nem mesmo fica memória dos maus e tristezas.

A oitava é a impotência da alma porque aqui, melhor que nunca, entende que ela é nada sem Deus e que se o Senhor não se comunica, são inúteis todos os esforços. A alma é a parte passiva…

A nona é a luz que a alma recebe nessa soberana união da majestade e grandeza de Deus.

A décima é a fome veementíssima de Deus que se produz na alma, porque começando a experimentar o que é o Senhor nessa altíssima união, queria fartar-se d´Ele.

A décima primeira é a sede abrasadora, porque goza a alma na união divina de uma gota da glória, e quer e deseja ardentemente engolfar-se e perder-se em Deus como em um deleitável oceano e somente Deus (o sabe) saciará sua sede.

A décima segunda é que nessa sublime união se deifica a alma.”  

Diário 5-X-1916


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