Venerável Madre Amparo do Sagrado Coração

(1889 – 1941).

No povoado de Cantalapiedra (Salamanca), na Espanha, nascia Maria Amparo em 30 de outubro de 1889. Era filha de Bernardino Delgado e Ángela García. Este casal cristão e exemplar teve um total de oito filhos, cinco dos quais morreram em idade muito precoce. Maria Amparo veio a unir-se, como um presente do céu, a suas duas irmãs maiores: Ascensión e Amalia.

Desde muito pequena, se manifestaram nela carismas extraordinários: via a Santíssima Virgem e os anjos; era conduzida pelo Senhor a levar uma vida de intensa oração e de austeridade, compatível com sua pouca idade.

Um marco importante em sua vida foi o dia de sua Primeira Comunhão: 06 de janeiro de 1899. Em sua Autobiografia diz: “Creio que ainda que passassem muitos séculos não poderia esquecer o momento de receber Jesus na Primeira Comunhão; foi um momento divino que não posso recordar sem glorificar a Deus por tanta misericórdia. Se introduziu na minha alma e tomou posse de todo meu ser, como meu Senhor e Dono. Me senti toda de Jesus e toda para sempre. Só fiquei com o desejo e o pensamento de ser toda e exclusivamente de Jesus, e ser religiosa”.

Esse mesmo ano 1899 vai ser marcado por outro evento de todo singular na vida de Maria Amparo. Na tarde de sábado, 11 de novembro, enquanto orava diante do Santíssimo Sacramento, teve uma visão:

Mosteiro do Sagrado Coração de Cantalapiedra

Era uma casa semelhante a um convento, mas estava fundado sobre um rio de graças […] Me pareceu ver como chegavam as almas em figura de pombas a apagar a sede de perfeição que o Senhor punha naquelas suas prediletas, mas não bebiam no rio sobre o que estava edificava a casa, senão no próprio Coração de Jesus que lhes acolhia com amor afetuosíssimo […] Me pareceu que Jesus me dizia: “Tu serás a  mãe casta desta geração também casta”.

A primeira pedra espiritual do Mosteiro do Sagrado Coração tinha sido assentada no coração de Maria Amparo. O tempo irá dispondo as demais.

A vida espiritual se fez cada vez mais intensa, mais profunda: acudia a Missa diariamente e dedicava longas horas a oração. Levava, igualmente, uma vida muito austera e penitente.

Aos 19 anos consegue realizar seu desejo de consagrar-se a Deus ingressando no Mosteiro de Santa María la Real de Arévalo (Ávila), de monjas cistercienses. Mas, sua falta de saúde a obrigou a abandoná-lo cinco meses mais tarde.

Outra data que não pode passar desapercebida na vida da jovem Maria Amparo é a de 15 de agosto de 1912. Copiamos novamente de sua Autobiografia:

Era dia da Assunção da Santíssima Virgem do ano de 1912. Esta Mãe de minha alma, a quem quero com todo meu coração, quis que neste seu dia perdesse eu minha própria vida e começasse a viver a vida de seu divino Filho Jesus. As três da tarde aproximadamente fui para meu aposento com ânimo de fazer oração. Me sentia morta, morta completamente e sem ânimo nem forças para levantar os olhos ao Céu. Virgem Santíssima – disse – se sou tão infeliz que não poderei amar a Deus na eternidade, ajuda-me para que ao menos agora possa fazê-lo. Notei em seguida que meu interior ia ficando em uma paz profunda e se fez uma serenidade tão suave e tão divina, que me pareceu ressuscitar para uma nova vida. Senti depois um fogo abrasador que penetrava todo meu ser e purificava minha alma deixando-a como um cristal ou espelho puríssimo e transparente, onde parecia reverberava a claridade do próprio Deus Uno e Trino. Me pareceu ver este divino mistério em minha alma com uma luz que não sei como era. Me pareceu conhecer as Três Divinas Pessoas na essência divina: ao Pai gerando o Filho, ao Vergo gerado do Pai, e ao Espírito Santo expirado do Pai e do Filho, e entendi, por um modo admirável, o que fé nos ensina deste mistério incompreensível. Contemplava estas coisas abismada em um mar imenso de felicidade e de doçura, e me pareceu que toda a Santíssima Trindade ficava para sempre na minha alma, assegurando-me isso com suavíssimas palavras e singular complacência”.

Eram os místicos desposórios com que a Santíssima Trindade abraçava para sempre a alma de Maria Amparo, e que ela rubricou reiterando seu voto de castidade e fazendo voto de não cometer pecado venial deliberado, de obedecer ao diretor espiritual e de fazer sempre o mais perfeito.

Decidida a tentar de novo consagrar-se a Deus na vida religiosa, ingressa no Mosteiro do Corpus Christi de Salamanca, de Irmãs Clarissas, em 19 de maio de 1913, onde vestiu o hábito de Clarissa e realizou suas Profissões, Simples e Solene.

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Servo de Deus Padre Arintero

Em dito Mosteiro tomou como diretor espiritual ao P. Juan González Arintero, OP, que havia de dirigir com acerto sua alma e os caminhos da nova fundação. As contradições não se fizeram esperar, como é de se supor, pois as obras de Deus sempre levam consigo contradições e são realizadas com pobres elementos humanos, para que se veja que a obra é d´Ele e não nossa. Assim havia manifestado Jesus a M. Maria Amparo: “Não fazes tu a fundação, senão Eu; não é obra de criaturas, senão Minha”.

Vencidas todas as dificuldades, em 31 de maio de 1920, partiam três irmãs do Mosteiro do Corpus Christi rumo a Cantalapiedra, para iniciar a caminhada do novo Mosteiro de Clarissas do Sagrado Coração. Dentro da espiritualidade franciscana nascia dito Mosteiro, com o particular carisma de amor e reparação do Sagrado Coração de Jesus, e com duas constantes muito fortes, virtudes franciscanas sólidas que deviam reinar na Comunidade: a caridade e união entre todas, e uma pobreza e minoridade bem enraizada.

O primeiro convento foi habilitado em uma casa na praça do vilarejo; o novo e amplo mosteiro foi inaugurado em 23 de fevereiro de 1929.

Outro momento ápice da vida de Madre Maria Amparo foi sua plena configuração com Cristo ao fazer-se visíveis nas mãos, pés e lado, os estigmas da Paixão do Senhor, em 05 de junho de 1931, ainda que anteriormente já sentisse as dores correspondentes a ditos estigmas.

M. Maria Amparo falecia em 06 de julho de 1941, quando contava apenas 51 anos de idade, deixando como continuadoras de sua missão, uma numerosa Comunidade, formada por cerca de cinqüenta irmãs.

Suas virtudes e carismas extraordinários atraíram a admiração de muitas pessoas: sacerdotes, religiosas e leigos, que acudiam a ela em busca de conselho e orientação espiritual. E esta fama seguiu estendendo-se depois de sua morte, de maneira que em 20 de fevereiro de 1977, se abria, na igreja conventual, o Processo diocesano de Beatificação da Serva de Deus, junto com a do Padre Arintero, seu diretor espiritual e co-fundador do Mosteiro de Clarissas de Cantalapiedra. Dito Processo alcançou uma meta importante em 02 de julho de 1994, ao assinar o Papa João Paulo II o Decreto de heroicidade das virtudes da Madre Maria Amparo do Sagrado Coração.

 

Irmãs Clarissas de Cantalapiedra

http://www.clarisascantalapiedra.org/