“Quando estiver no céu, hei de derramar abundantíssimas graças sobre as almas de meus queridos sacerdotes, pois espero continuar ali minha missão sacerdotal e o cumprimento de um dever tão sagrado que me foi imposto pelo próprio Deus”.

Serva de Deus Madre Maria Celina do Menino Jesus, O.S.C.

(1910-1962)

SÍNTESE BIOGRÁFICA.

Mª del Carmen García Pomareda nasce em Madri, na Espanha, em 17 de fevereiro de 1910 no seio de uma família rica, profundamente cristã. Favorecida por Deus desde sua mais terna infância, com graças e carismas sobrenaturais, aos 9 anos recebe pela primeira vez a Jesus Eucaristia, e a partir de então a aspiração à santidade será o ideal de toda sua vida. Ideal que nela se concretizou na vida claustral, em um contexto sociocultural diferente do nosso, mas cujo exemplo de fidelidade à Graça segue sendo válido para toda a alma cristã que quer ser coerente com a fé recebida no Batismo.

Aos 14 anos,  Carmita (como era chamada familiarmente) perde seu bom pai, a quem amava afetuosamente. Pouco depois sente o chamado divino à vida contemplativa e decide ingressar em um convento de clausura, mas sua mãe, acreditando que ela era demasiado jovem, não dá seu consentimento até que cumpra os 18 anos.

Corpo incorrupto de São Lourenço de Brindisi, que se encontra na Igreja do Mosteiro “La Anunciada” de Villafranca del Bierzo.

Por fim, em 12 de fevereiro de 1928, ingressa felizmente no mosteiro “La Anunciada” de Villafranca del Bierzo (León). Em 15 de agosto do mesmo ano veste o hábito de Clarissa e, conforme a normativa de então, muda seu nome pelo de Irmã Maria Celina do Menino Jesus, ao que mais tarde acrescentará o de “serva da Santíssima Trindade”, por sua grande devoção e profunda vivência deste divino mistério.

Em 17 de agosto de 1929 se consagra da Deus mediante os votos religiosos e três anos depois (25/08/1932) emite a profissão definitiva na Ordem de Santa Clara, na que permanece até sua morte, entregue totalmente ao serviço de Deus e da Igreja mediante a oração, o sacrifício e a prática heroica de todas as virtudes.

Serviu fielmente a comunidade em diversos ofícios, foi Abadessa, porteira e durante 15 anos Mestra de noviças, irradiando o bom odor de Cristo e a alegria franciscana dentro e fora da clausura.

Finalmente, após longa e dolorosa enfermidade de câncer, morre na paz do Senhor em 26 de novembro de 1962, oferecendo sua vida e seus sofrimentos pela santificação dos sacerdotes e o êxito do Concílio Ecumênico Vaticano II (iniciado um mês antes em Roma) deixando atrás de si um rastro de santidade que perdurou até o dia de hoje.

nova-imagem-de-bitmap-9

O Capuchinho Padre Mariano de Vega de Espinareda (1871-1946), famoso diretor espiritual da Madre Sorazu foi também diretor espiritual da Madre Celina, por um período.

Por obediência a seus confessores deixou escritas várias obras: “HISTÓRIA DE UMA FLORZINHA MADRILENHA (Autobiografia)”, “NOTAS ÍNTIMAS DE MEU DIÁRIO”, e “’A VIDA COM CRISTO EM DEUS – Último graus da vida mística”. A esta trilogia se acrescentam mais de 300 cartas, poesias e outros escritos que refletem sua profunda espiritualidade trinitária, cristológica, mariana, franciscana e sacerdotal.

Em 15 de novembro de 2012 se inicia o Processo diocesano de beatificação, e hoje são muitas as pessoas que acodem a visitar seu sepulcro e pedem sua intercessão.

Centelhas espirituais

Irmã Maria Celina do Menino Jesus foi considerada pelos especialistas como uma das místicas mais destacadas do século XX. Não só viveu e tocou os mais altos cumes da espiritualidade cristã, senão que soube revelá-los em seus escritos. Eis aqui uma simples mostra:

Eu sinto uma necessidade muito grande de ser santa para dar muita glória a Santíssima Trindade.

Ó Pai, ó Verbo, ó Amor que assim me chagaste! Receba já o ósculo santo de vossa divina boca, e ao contato desse beijo, perda a vida que para nada a quero, porque depois de vos ter experimentado, o viver é meu maior tormento.

Ó Trindade adorável, centro e descanso de minha alma, em Ti me abismo, me perco e me aniquilo; diviniza-me, endeusa-me, deifica-me!

Sois fartura sem fartura. Sois um abismo inefável, saciedade que nunca sacia, ó Trindade adorável, onde se perde minha alma!

Ó Espírito Santo, Fornalha ardente de divino Amor que consomes tudo que tocas! Vem, e apodera-te para sempre da minha alma, a fim de que em todo momento não se mova senão ao impulso de tua amorosa ação e dirigida pelo sopro de tuas divinas inspirações.

Tenho sede de Ti, ó dulcíssimo Consolador! Sacia minhas ânsias quase infinitas, fundindo-me em tua Divina Pessoa.

Ó Amor, destruí Vós mesmo este abismo de misérias, ainda que tenha que ser a custa de grandes sofrimentos! Não importa, venham penas e trabalhos contanto que seja santa. Grandeza incompreensível, Onipotente, Princípio sem princípio, SER EXCELSO! Augusta Trindade, Abismo Imenso! A ti se dê a glória eternamente!

Ó eterna Trindade! Deixa que minha alma transborde mais e mais e fique perdida para sempre na contemplação sublime de Tua Essência. Ó Paraíso, Paraíso, deixa-me abismar-me em teu pensamento!

Edificar sobre a rocha imutável da vontade divina, afastando para um lado a terra movediça de meu nada mediante a renúncia própria.

Meu plano há de ser Cristo vivido e comunicado; desfazer-me n´Ele de tal maneira que já não hei de viver eu, senão Cristo em mim.

Os santos sobressaíram por suas grandes obras. Eu quero sobressair precisamente por meu nada, por minha nulidade e rudeza, para que assim só apareça a obra do Amor divino na minha alma pecadora.

Ó santa Pobreza! Tu és e serás o tesouro mais caro da minha alma e as asas do meu espírito.

Em minhas horas de oração ou de trabalho, em todas as ações de minha vida, o único que hei de procurar, há de ser o recrear o olhar divino de meu Pai Celestial.

Sinto muitíssimas vezes como a graça divina me invade por completo e me dá, com respeito a Deus, um amor apaixonado, ás vezes de modo que não sei se posso viver senão “suspendida” por essa Vontade divina que para mim é tudo. Em ordem às demais criaturas e coisas, me dá uma fortaleza grande para sofrer e levar com ânimo tranquilo, imutável, tudo o que vai vindo, e uma ânsia de praticar as virtudes em grau heroico, aproveitando-me das ocasiões.

A Eucaristia é meu CÉU. Meu Jesus, que eu seja tua pequena hóstia: sempre branca, sempre sorridente, sempre entregue a todos os que me queiram comer.

Que cheios podem estar os dias de uma Esposa de Jesus!… As horas de uma virgem devem transbordar amor, seu coração há de ser um vulcão que irradie chamas de divina caridade em todas as direções, pondo sumo cuidado em que em sua linda lâmpada não falte, nem um minuto sequer, o óleo misterioso da vida sobrenatural; desta maneira estará sempre disposta para receber a seu celestial Esposo na hora que chegue.

Se satisfaço o grau de santidade que Deus quer de mim, cumpri a “missão” para qual O PAI ME ENVIOU A TERRA.

Quando estiver no céu, hei de derramar abundantíssimas graças sobre as almas de meus queridos sacerdotes, pois espero continuar ali minha missão sacerdotal e o cumprimento de um dever tão sagrado que me foi imposto pelo próprio Deus.

Dia do “Domund”! Dia das missões !… MEU DIA!… Esta manhã ao me levantar, meu pensamento voou a meus pagãozinhos, que tomaram minha hora de oração e o dia inteiro. Ânsias de dar Cristo às almas e as almas à Cristo, ânsias de ver o Evangelho santo estendido pelo orbe inteiro abrasavam meu coração, que com impulso missionário recorria de um outro a outro confim, em busca de seu ardente desejo.

Minha Mãe Dolorosa. Que nas minhas horas de RUA DE AMARGURA saiba guardar minha dor no silêncio, só para mim e com o sorriso nos lábios. Que saiba santificar-me na dor; no Tabor é muito fácil, no Calvário custa muito. Ajuda-me, Mãe. Quero ser santa e quero abraçar com alegria todos os sofrimentos físicos e morais que meus Três tenham disposto.

Tudo acaba com a morte! Uma caixa pobre, um simples hábito, uma sepultura funda e um pouco de terra é última esmola que se dá a este pobre corpo, tão faminto de regalos nos dias de sua existência. Só para a alma se abrem as portas da eternidade ao contato da Chave de suas obras, más ou boas: eterno gozar ou eterno penar!

Desejo que depois de minha morte, meus Sacerdotes me peçam graças, porque se vou ao Céu, como espero da misericórdia de Deus, hei de me interessar por eles diante do acatamento do Pai, de uma maneira especialíssima. Se me chamam, baixarei, sobretudo quando estão no altar.

Tudo está consumado. Para SANTIFICAR-SE há que “semear-se” e apodrecer-se no sulco [da terra]. (última frase que escreveu cindo dias antes de morrer).

ORAÇÃO

(para uso privado)

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, que elegestes a Irmã Maria Celina para que, à exemplo da Virgem Maria, fosse mãe espiritual de teus sacerdotes e oferenda vítimal pela santificação de teus ministros; digna-te glorificar a tua serva e concede-nos, por sua intercessão, abundantes vocações sacerdotais e religiosas, e o favor particular que te pedimos, para tua glória e bem da Igreja. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém

(com aprovação eclesiástica).

 Qualquer pedido, dirigir-se a :

M. Clarisas. Monasterio de La Anunciada

Pl. Anunciada, 1 – 24500 VILLAFRANCA DEL BIERZO (León) Espanha

e-mail:   moanunciada@gmail.com