Venerável Genoveffa de Troia

(1887-1949)

A infância

Genoveffa nasce em Lucera em 21 de dezembro de 1887, de Pasquale e Vincenza Terlizzi. Foi a primogênita de cinco filhos; depois dela nasceram Vittorino, Giovina, Annita e Attilio. Apenas nascida, Genoveffa aparece logo muito frágil, tanto que foi batizada no dia seguinte, e cerca de dois meses depois, recebe também a Crisma.

Os anos passados em Lucera, do nascimento até a idade de 26 anos, são caracterizados por numerosos infortúnios e por uma grande miséria. Logo, de fato, a morte começa a visitar a sua família. Com a idade de cinco anos perde a irmã Giovina, de pneumonia, de apenas cinco meses; aos dezessete anos morre também o irmão Vittorino, também de pneumonia. A pobreza, pois, era de casa na família De Troia. O pai, guarda florestal, tinha um trabalho precário e nem sempre era pontual no pagamento do aluguel, assim a família era forçada a migrar de uma casa para a outra. Além destas provações, a vida de Genoveffa foi marcada, desde idade de quatro anos, pelo sofrimento físico.

Nesta idade, de fato, começam a aparecer as primeiras chagas, em particular sobre a perna direita e começa a se delinear o seu caráter forte em aceitar em silêncio as provações que o Senhor lhe manda. Desde aquele momento, cada ano a mamãe se dirigia com a pequena, sobre um carrinho de mão, ao Santuário da Virgem Coroada de Apricena, para implorar a graça da cura. Na última viagem enquanto absorta em oração, Genoveffa ouve uma voz que lhe diz: “Tu não curarás”. Se põe, em seguida, de joelhos sobre o carrinho, e responde: “Seja feita a vontade de Deus”.

Inicia assim aquele caminho de adesão à vontade de Deus, que devia continuar por toda a vida, tornando-se, dias após dias, sempre mais generosa. O espírito, sob o influxo da graça de Deus, crescia forte, enquanto o corpo permanecia frágil e enfermo. A saúde precária não lhe consente frequentar proveitosamente a escolas (permanecerá analfabeta por toda a vida).

A adolescência

Em 1901, com a idade de catorze anos foi enviada ao Instituto das Irmãs da Caridade de Lucera, para aprender a arte da costura e do bordado. Aqui passa a maior parte do tempo na igreja, dedicando-se ao cuidado dos altares.  Durante o tempo prolongado diante do Sacrário amadurece o desejo de ser freira, de ser toda do Senhor, mas ouve mais uma vez uma voz que lhe diz: “Tu freira não te farás jamais”. Uma certa Irmã Teresa, que tinha se afeiçoado a ela, lhe faz entender que para ela a vida religiosa era impossível, e que, contudo, poderia se santificar também no mundo, oferecendo-se toda à Jesus. O Senhor lhe estava preparando um outro caminho.

Não será freira, mas será igualmente de Jesus, crucificada em uma cama, no sacrifício e na doação.

Os primeiros sofrimentos da família e a pobreza

Venerável Genoveffa

Estamos em 1905. Neste ano morre o irmão Vittorino, que com o trabalho contribuía as necessidades da família e Genoveffa, depois de ter saído do Instituto das irmãs, se oferece para ajudar aos pais, indo a Trani, onde encontra trabalho como empregada junto a família lucerina Perrone – Capano. Trabalha até exaustão,  pouco come para enviar as sobras aos seus, em Lucera, mas as condições físicas não lhe permitem nem mesmo continuar a trabalhar, e depois de cerca um mês, a mãe vai para buscá-la e a leva para casa. Voltando a Lucera, a pobre Genoveffa, enquanto sofre sempre mais no corpo pela progressão da doença, se aflige pelas tristíssimas condições econômicas familiares. Tenta então prestar serviço na casa do Advogado Cavalli, mas o seu físico não permite e depois de poucos meses volta para a casa para pôr-se definitivamente na cama. Mais uma vez, ela ouve uma voz que lhe diz: “Tu da cama não te levantarás mais”.

A lipoidose

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São Pio de Pietrelcina

A doença de que sofre, primeiramente não bem diagnosticada, é uma enfermidade rara, incurável na época. Se trata de uma grave forma de lipoidose. Com o passar dos anos o corpo de se torna todo uma chaga e os ossos, sobretudo aquele do crânio e dos membros, aparecem crivados de buracos.

Em meio aos atrozes sofrimentos, Genoveffa tudo sofre por amor a Jesus, considera toda nova chaga, “um dom de Jesus”. Ela parece, ao invés de estendida sobre a cama, estendida sobre a cruz, segundo as palavras do Padre Pio. Ao mesmo tempo, desde a adolescência é plenamente consciente de ter sido chamada por Deus para uma missão totalmente especial: sofrer pelos pecados dos homens e pela salvação das almas.

A transferência para Foggia

Depois de outros anos de misérias, em 1913, o pai encontra trabalho em Foggia, junto aos senhores de Spada, e transfere para aí a família inteira. Também em Foggia, porém é forçada a andar errante de casa em casa, primeiro em duas habitações em Corso Giannone, depois na via Giovanni Urbano. A transferência a Foggia não melhora as condições econômicas da família De Troia, que ao invés disso, é atingida por outros lutos. Primeiro,  em 1918, morre o irmão Attilio no hospital militar de Verona,  também ele de pneumonia, e depois, em 1924, vem a faltar também o pai. Genoveffa fica sozinha com a mãe na mais sombria miséria (enquanto isso, a única irmã que ficou, Annita, se casou).

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Padre Angelico da Sarno, Diretor espiritual de Genoveffa

Em 1925, ocorre um evento determinante para a vida de Genoveffa, o encontro com o sacerdote capuchinho, Padre Angelico da Sarno,  que se torna seu pai espiritual, lhe transmite o espírito franciscano e a devoção ao Pobrezinho de Assis, a segue até a morte e inicia o processo de beatificação e canonização.

Apoiada pela assistência espiritual do Padre Angelico, Genoveffa inicia um itinerário de aprofundamento da sua vocação ao sofrimento, em vista das provações, duríssimas, que a esperavam, sobretudo nos últimos anos da vida.

Em 1931 adere a Terceira Ordem Franciscana Secular, que se torna para ela ocasião para aprender a viver a sua vida “segunda a forma do Santo Evangelho”, nos passos de S. Francisco, até a plena configuração a Cristo pobre e crucificado.

Pelo interesse de Padre Angelico, em 1940, Genoveffa, junto a mãe, se transfere a última habitação em Via Briglia 3, atual via Genoveffa De Troia, adquirida por boas almas. Daqui será obrigada a distanciar-se em 1943, transferida a Troia, por causa dos bombardeios que afetam a cidade de Foggia. Em Troia morre também a mãe. Retornará a Foggia dois anos mais tarde, em 1945, para transcorrer aí o último período de sua atormentada existência terrena, num crescendo de sofrimentos, e de indizíveis dores, até ao dia da morte.

Os últimos dias e a morte.

nova-imagem-de-bitmap-3Nos últimos dias de sua vida sofria tanto, que temendo que a dor pudesse lhe arrancar um grito não aceito, exclamava ao Senhor: “Perdoa-me, Jesus! Chama-me a Ti! Dai-me mais força de sofrer!”.

No dia 9 de dezembro de 1949, o seu pai espiritual lhe havia prometido celebrar a S. Missa, mas por compromissos inesperados lhe levou só a S. Comunhão, assegurando-lhe que celebraria a Missa no dia seguinte. Genoveffa, dolorosa, disse: “Padre, quem sabe se chego até lá”; o padre, então, lhe responde: “Ouves! Tu que sempre obedecestes, não deves morrer antes que seja celebrada a Santa Missa na tua celinha”.  Ela, com um fio de voz, responde: “Meu pai, obedeço. Faço a vossa vontade e aquela de Jesus”.

Na manhã de 10 de dezembro foi celebrada a S. Missa e ela aparece transfigurada e circundada por uma aréola de luz. Transcorre o dia inteiro entre atrozes sofrimentos e a na manhã do dia sucessivo, domingo 11 de dezembro, depois de ter recebido a unção dos enfermos, conclui gloriosamente a sua vida terrena.

Foi revestida com o hábito de Terceira Franciscana, como ela tinha pedido durante a vida. Na sua morte, a cidade foi tomada por um estremecimento. “Morreu a santa”, se dizia. Aos funerais vieram uma grande multidão de pessoas, o corpo permaneceu exposto por três dias na igreja de S. João Batista. Antes de ser sepultada, setenta e duas horas depois da morte, assim como relatado no relatório médico, seus membros apareciam ainda flexíveis e o corpo não emanava nenhum mal odor. A fama de santidade de Genoveffa, já durante a sua existência terrena, transcende os confins da cidade e se difunde rapidamente em muitos lugares da Itália e também do exterior.

Se obtém muitas graças por sua intercessão e a distância de só nove anos depois da morte, em 24 de novembro de 1958, se abre o processo canônico de beatificação, concluídos, na Diocese de Foggia, em 25 de abril de 1967. Em 07 março de 1992 vem promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes e vem reconhecido o título do Venerável.

Em 25 de abril de 1965 depois do reconhecimento canônico dos restos mortais da Venerável, então sepultados no cemitério da cidade na Capela Santa Mônica, vêm transladados a Igreja da Imaculada de Foggia.

No dia 01 de março de 2012, diante do Arcebispo da Diocese de Foggia – Bovino, Francesco Pio Tamburrino, se realizou um novo reconhecimento do corpo de Genoveffa De Troia. Em 14 de outubro do mesmo ano, com uma solene celebração, a urna contendo os restos mortais foi recolocada no altar lateral da igreja.

A celinha, lugar de apostolado e caridade.

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La celleta, após a restauração

Esvanecido o sonho de ser freira, quer que no interno de sua última casa fossem erguidas paredes, em modo a delimitar uma celinha, onde pudesse rezar e sofrer. A celinha (celleta, em italiano) como habitualmente se chamava, se torna lugar de apostolado.

Colocada no centro de um bairro famigerado, a presença da “santa” (assim era chamada) obtém a redenção de muitas almas. Numerosos os visitantes em busca de alívio material e espiritual. Pobre, dava aos pobres. As ofertas recebidas fazia serem divididas entre a igreja paroquial, o caixa da Terceira Ordem Franciscana e a casa da criança.

Às vezes não comia, e à pergunta porque fazia assim, respondia: “Mas como posso fazê-lo, quando sei que há famílias onde se sofre a fome, onde tantos pais sofrem porque os seus filhos não têm o que comer?!

Foi apóstola da oração. As suas intenções de oração eram universais; tinha no coração as crianças, os sacerdotes, o Papa, o seu Bispo.

Em torno ao seu leito, floriu depressa um grupo de almas, de várias estratos sociais, que se reunia para rezar. Era seu desejo que, depois de sua morte, a celetta se tornasse casa de oração.

Entre os visitantes haviam também personagens ilustres: bispos, eclesiásticos, pessoas de cultura, profissionais. O que tinha a dizer-lhes aquela pobre mulher envolta em ataduras, estendida sobre uma cama, em um pobre casebre? Eles reconheciam nesta criatura um sinal eleito da predileção de Deus pelos pobres e sofredores. Genoveffa tinha o dom de saber falar a todos, as pessoas comuns e as pessoas de nível mais elevado. O seu leito se tornou de verdade um cátedra de amor a Deus e aos homens.

 bibliografia:

Genoveffa De Troia, Terziaria Francescana – Centro Provinciale del T. O. F., PP. Cappuccini S. Anna – Foggia

Genoveffa De Troia, Su un letto per il mondo senza confini – Fernando da Riese Pio X

La Sublimazione del dolore, Carmine Gargiulo

Il Segreto della Vita, Carmine Gargiulo

Oração

Ó Deus nosso Pai, pela ação do Espírito Santo, fizestes partícipe da Paixão de Cristo teu Filho, a Venerável Genoveffa de Troia, consagrando-a a ti mediante os sofrimentos e o testemunho do amor aos irmãos, concedei também a nós encontrar na tua vontade a nossa paz, e por sua intercessão, obter a graça… que ardentemente desejamos, por Cristo nosso Senhor.

Francesco Pio Tamburrino
Arcebispo Emérito da Diocese de Foggia – Bovino

Site oficial (em italiano): http://genoveffadetroia.eu/