CENTENÁRIO DE UMA GRANDE FUNDADORA

MADRE MARIA ROSÁRIO DO ESPÍRITO SANTO LUCAS BURGOS

Ano Jubilar de Nossa Madre Fundadora

1900 – 27 de fevereiro – 2009

Escravas do Santíssimo Sacramento e da Imaculada

Padre  ANDRES MOLINA PRIETO.

Doutor em Teologia, Membro da  Sociedad Mariológica Española.

 

Tanto a vida da Madre Maria Rosário Lucas Burgos como a história de sua Fundação constituem – se me permitem a expressão – uma aventura ao divino. É impossível captar os fios invisíveis que a divina Providência vai unindo em admirável urdidura para fazer avançar seus planos amorosos. A chave deste fundo mistério nos fornece São Paulo: “Sabemos que Deus ordena todas as coisas para o bem dos que o amam, dos que foram eleitos segundo seus desígnios” (Rom. 8,28).

Na fundadora do Instituto “Escravas do Santíssimo Sacramento e Maria Imaculada” se cumpre a mil maravilhas esse áureo texto paulino. Cem anos do nascimento de uma mulher totalmente eucarística e integralmente mariana que foi instrumento para começar uma Obra com um carisma centrado na adoração reparadora e no dogma imaculista!

Durante esses cem anos – 1909—2009 – surgiram na Igreja inumeráveis Institutos Religiosos, cada um com seu perfil próprio e seu selo original. Madre Maria Rosário possuiu – porque assim quis o Senhor – carisma de fundadora sem o qual sua Obra não haveria subsistido. A definição mais completa deste dom do Espírito Santo nos brinda o próprio Magistério ao nos dizer que “o carisma dos fundadores se revela como uma experiência do Espírito”. Se buscamos elementos característicos deste sublime dom veremos que é pessoal, coletivo – comunitário e eclesial.

Sendo os Fundadores, homens e mulheres do Espírito, assim como discípulos insignes do seguimento de Cristo, seu carisma permanente vem a ser uma manifestação história da vida e santidade da Igreja. Os traços configuradores do dom carismático de Madre Maria Rosário são de uma solidez e simplicidade transparente: a Eucaristia e a Virgem Maria no seu singular privilégio da Imaculada Conceição.

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Escravas do Santíssimo Sacramento e da Imaculada em Mataquescuintla – GUATEMALA

Os anos 1951 (07 de outubro) e 1952 (29 de maio) resultaram históricos para a Congregação, já que no primeiro se conseguiu a formulação definitiva das Constituições que marcavam com exata precisão o caminho por onde havia de continuar. No segundo, a Sagrada Congregação de Religiosos concedeu mediante um oportuno Decreto que o Instituto se denominasse daqui em diante “Escravas do Santíssimo Sacramento e da Imaculada”.

Com estes sinais eclesiais de identidade, a Congregação empreendia seu itinerário expansivo que estende seu âmbito para a América hispânica onde se consolidam já vários fundações. se em 1909, Madre Maria Rosário nasce na luminosa Almeria, a que havia de ser a “servidora boa e fiel do Senhor” (Mt 25,21)  pela entrega heroica ao Sacramento do Amor, o ano 2009 pode contemplar com gozo as difíceis travessias recorridas e um panorama vocacional muito esperançoso. No Decreto de Aprovação Pontifícia, lemos essa substancial frase: “As Escravas têm a máxima honra pela Santíssima Eucaristia e adoram com suma veneração esse Sacramento”. Conscientes de tão alto reconhecimento realizam seu ideal religioso.

Quando a sofrida Fundadora escreve por obediência uma brevíssima crônica sobre as origens da Obra, expõe em estreita cadeia as principais idéias diretrizes: “Glorificar ao Senhor exaltando sua onipotência e misericórdia. Reconhecer as infinitas delicadezas do Senhor para com a nascente Congregação. Descobrir o amor inenarrável que as origina correspondendo ao mesmo. E abrasar-se no fogo do divino amor”. Esse ideário é parte integrante do carisma de M. Maria Rosario e late vivo no coração eucarístico-mariano de cada membro da Congregação.

Um dia do Corpus, ano 1929, cheia de fervores eucarísticos – pensei enquanto ajudava a levantar no jardim o clássico altar das espigas para a procissão do Santíssimo: se a hemorroíssa se viu curada ao tocar com fé a veste de Jesus, não conseguirei ver o que quer de mim, tocando seu Coração no momento que hoje me abençoe da Custódia? E, pela tarde, ouvi atemorizada, no solene instante em que Jesus desde o Ostensório se voltava para mim: “QUERO QUE SEJAS MINHA CUSTÓDIA E ME LEVES POR TODAS AS PARTES”.  Ao temor e angústias, sucederam a paz, o gozo e um deleite suavíssimo que penetrou minha alma. Com estas palavras, as primeiras que entendi de modo sobrenatural, pensei que Deus me pedia sumo recolhimento e que o deixasse ver através de todas as operações de meu ser” .” (Graças do Senhor a Nossa Madre Fundadora).

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Escravas do Santíssimo Sacramento e da Imaculada – CUENCA

Celebra-se um século para dar graças por um feliz evento natalício. Um século para olhar com otimismo sobrenatural o futuro de uma Congregação dedicada a “adoração perpétua reparadora de Jesus Cristo, Vítima no Santíssimo Sacramento e a consagração perfeita a sua Mãe Imaculada”.

Junto ao Te Deum e o Magnificat pelo nascimento de uma criatura privilegiada, cada Escrava deve prorromper em exultante alegria, fazendo sua a divisa dos Salmos que o Padre Fundador José Antonio de Aldama tinha escolhido em seu Testamento para expressão sua gratidão ao Senhor: “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”(Sal 88,2)

Fonte: http://www.esclavasdelsantisimo.org/wp-content/uploads/Centenario-de-una-gran-fundadora.pdf