“A Paz está em nos doar… o amor cresce com o sacrifício.

O mundo da paz é o mundo do amor, da nossa própria doação,

da nossa própria renúncia, do nosso sacrifício”

(Dos Exercícios Espirituais à suas Monjas)

Serva de Deus Madre Mercedes de Jesus

(29 de março de 1935 – 3 de agosto de 2004)

Primeiros anos

 

downloadA Madre Mercedes de Jesus, batizada com o nome de María del Rosario Egido y Izquierdo, nasceu para morrer em Salamanca em 29 de março de 1935 e morreu para viver em 3 de agosto de 2004, no Mosteiro de Alcázar de San Juan, Ciudad Real (Espanha). Era a sexta de nove irmãos de uma família profundamente cristã, o que a marcou desde muito pequenina para as coisas do Senhor.

Cursou seus estudos no colégio das Filhas da Caridade em Salamanca, se destacando por sua inteligência, responsabilidade, maturidade… Tinha uma inteligência não comum, já que a passavam de série por superar o grau escolar de sua idade.

O desejo de seus pais e das religiosas era que estudasse Magistério, mas os desígnios de Deus eram outros. Por motivos familiares, tiveram que se transladar a Madri e começou a trabalhar na alfaiataria que seus pais tinham instalado em sua casa.

Mas o seu coração, já desde os oitos anos de idade, sentia o chamado a vida religiosa. Seu primeiro desejo, que permaneceu até os quinze anos, foi ser missionária. Ardia em seu interior o desejo de falar da grandeza de Deus e de nossa pequenez. Deus já ia fecundando em sua alma o que ela daria à Igreja desde seu monacato: atrair os homens ao conhecimento e amor do Pai.

Itinerário à vida monástica

Aos 18 anos, ingressou na Ordem da Imaculada Conceição, em 25 de outubro de 1953, dia de Cristo Rei, no Mosteiro de La Puebla de Montalbán, Toledo. Tomou o hábito em 27 de abril do ano seguinte. Fez sua profissão temporal em 12 de maio de 1955 e solene em 16 de maio de 1958.

Já desde seu ingresso na vida monástica, sua vida e entrega ao Senhor se desenvolveram na chave do mais, buscando agradar somente a Deus, na obediência ao que lhe encomendavam, com espírito de humildade, mortificação, silêncio e amor a cruz.

Nestes anos de amadurecimento no Mosteiro, ela intuía que Deus iria lhe pedir uma mudança muito importante para sua vida e não passou muito tempo, quando a Madre Presidente pediu ajuda para o Mosteiro de Alcázar de San Juan, Ciudad Real.  E assim, em 20 de janeiro de 1964, foi transladada a Alcázar de San Juan pela federação. Por suas virtudes e exemplaridade de vida foi eleita Abadessa em 23 de janeiro de 1970. Por não ter idade canônica suficiente, foi necessário pedir uma dispensa a Roma, cuja confirmação veio em 12 de março do dito ano. Este cargo, o desempenhou com uma entrega incansável à sua comunidade e Ordem.

mj_romaDevido à deterioração do Mosteiro, se teve que edificar outro Mosteiro próximo ao antigo, em outro terreno, para onde se transladou a comunidade em 19 de março 1973, sendo chamada da Imaculada e Santa Beatriz da Silva. Deus a enchia de muitas graças espirituais em preparação à missão que lhe iria encomendar. Ela, entretanto, sentia falta da espiritualidade própria da Ordem e movida pelas diretrizes do Concílio Vaticano II sobre a “adequada renovação da vida religiosa” – volta às fontes –, esta tinha despertado com força em seu espírito o desejo de fidelidade a Fundadora da Ordem Concepcionista, Santa Beatriz da Silva, já que lhe havia fundado para o culto, amor e serviço à Virgem Imaculada. E assim, o Senhor lhe manifestou em uma visão o que seria sua missão na Igreja: tirar o pó do carisma concepcionista enterrado durante cinco séculos.

Depois de doze anos de oração, trabalhos e sofrimentos para conseguir a “volta às fontes” ou primitiva inspiração da Ordem, em 25 de abril de 1981, com aprovação da Santa Sé e acolhidas pelo bispo diocesano, Mons. Rafael Torija de la Fuente, se começava no Mosteiro de Alcázar de San Juan um “experimento” de vida monástica concepcionista fundamentada na Bula  fundacional da Ordem Inter Universa.

Este foi o primeiro passo do que em 08 de setembro de 1996, Natividade da Virgem Maria, seria uma realidade: o Decreto de aprovação às emendas das Constituições Gerais da Ordem da Imaculada Conceição. Dava por bem empregados, os 27 anos que tinham lhe custado para consegui-lo!

Espiritualidade

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Concepcionistas de Alcázar de San Juan – filhas da Madre Mercedes de Jesus

A Madre Mercedes de Jesus, seguindo o espírito da fundadora, Santa Beatriz da Silva, plasmado na Bula Inter Universa de Inocêncio VIII, em 1489, desenvolveu uma espiritualidade mariana e monástica própria da Ordem, que brota das entranhas amorosas do Pai, em que a concepcionista contempla o começo da existência do homem, criado à sua imagem e semelhança para a santidade.

Depois do pecado, Deus salva seu projeto criador sobre a humanidade, em Maria, liberando-a do pecado original, em previsão da redenção do Filho.

Deixemos que seja ela mesma que nos descreva a espiritualidade concepcionista:

Conseguir a liberação do pecado e a não violência é o impulso tendente da Monja Concepcionista para a santidade. Por isso, para ela, todo o Mosteiro lhe fala de paraíso, de paz, de harmonia, de ordem, de amor, de vida. Tudo lhe evoca o projeto criador do Pai, lhe recorda a criação cheia de vida, de bondade e de amor, a qual deve tratar de retornar, retornando ela ao amor e conhecimento de seu Criador.

Por isso, a Monja Concepcionista é a insaciável buscadora de Deus, da pegada divina e de seu Ser pacificador na criação. Buscando, amando a Deus em tudo, encontra-se submersa na força transformante que criou boas todas as coisas.

Maria Imaculada é o Paraíso para a Concepcionista, onde se adentra e desde onde vive sua espiritualidade nos elementos constitutivos da vida monástica: silêncio, solidão, oração, generosa penitência, louvor divino, comunhão fraterna e trabalho, para acercar a humanidade ao conhecimento e amor de Deus, evocando com a própria vida, seu pensamento criador sobre o homem.

… O claustro, a Monja, são sinônimos de busca de Deus, de ânsia do eterno… Esta sede ou busca de Deus que caracteriza a vida monástica, encontra na clausura sua realização plena. Porque a clausura é o veículo vivente, o recinto concreto, o âmbito próprio de uma realidade que não se vê, mas que se vive… Deus, o eterno… Onde se realiza a consagração ao definitivo, ao Amor eterno de Deus! Porque a clausura facilita o âmbito próprio para o “encontro” com esse Deus amado, desejado e buscado…  No silêncio, na paz, a Monja começou a aprender a atravessar a barreira das coisas, do passageiro, do instável. Para fixar sua morada na estabilidade, em Deus.

… Assim, enquanto o homem dorme, o amor  e a oração da monja velam por eles...”

Os restos mortais de Madre Mercedes repousam no Mosteiro.

TODA PURA ÉS MARIA

(Para uso privado)

ORAÇÃO

download-1Para obter a glorificação na terra da Serva de Deus Madre Mercedes de Jesus

Ó Deus, fonte e doador de todos os bens, glorificado em todos teus santos, que concedeste a tua serva Madre Mercedes de Jesus, seguir fielmente o carisma de Santa Beatriz de Silva, em honra da Conceição Imaculada de Maria, na qual se restaura sobre o homem a imagem santa de Deus perdida no paraíso. Digna-te glorificar a esta fiel Concepcionista, que tanto te amou na terra e concede-me por sua intercessão o favor que peço… Amém

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

(Com licença eclesiástica)

Para conhecer e aprofundar a vida e espiritualidade da Serva de Deus Madre Mercedes (em espanhol) : www.monjasconcepcionistasdealcazar.com