No Céu de meu Amor ao Pai

Venerável Padre Pablo Maria Guzmán

+ 30 de março de 1947

Domingo

causaPadrePassando por mim a ideia de se teria sido fiel ao espírito de minha Congregação e das Obras da Cruz[1], senti na minha alma uma grande confiança e me disse: “Como o caminho que percorri me levou ao seio amorosíssimo do Pai, creio que esse caminho foi bom. Quando os filhos espirituais que Deus me deu, chamam sem cessar o Pai e buscam só sua glória, creio que esses filhos são legítimos e que trazem todas as bênçãos do Céu”.

E minha alma se sentia de verdade no Céu, como acariciada pelo olhar amorosíssimo do Pai.

Como duvidar agora de que os caminhos de minha vida sejam retos? Se não me movo senão pela vontade do Divino Pai, se Ele é o Dono absoluto de minha vida!

Se em algo ou em muito, me equivoquei no passado, poderoso é o Pai para remediar meus erros, que por outra parte terão sido involuntários porque nunca recordo de ter feito uma coisa de importância crendo que era contrária a vontade de Deus.

Seguramente por isso Deus veio em meu auxílio e endireitou meus caminhos.

Considero como uma graça este sentimento de minha alma, pois necessito caminhar com absoluta confiança em Deus. Não quero que o Céu do meu Amor ao Divino Pai seja manchado por nenhuma nuvem.

É minha força, meu grande estímulo, saber que vivo no Pai e que o Pai vive em mim.

No Céu do meu Amor ao Pai somente paira o Espírito Santo, mas Ele une, Ele transforma, Ele me ensina os segredos do Coração do Filho e me permite dizer com doçura infinita: “Abba, Pater”… Ele me permite perceber o amor do Pai a seu Divino Filho e ouvir como se dissesse a minha alma: “Meu Filho”.

Nesse Céu do meu amor ao Pai, só brilha uma estrela que é Maria, mas Ela, longe de me impedir a contemplação tranquila de meu Pai, banha minha alma com seu Candor, ilumina minha vista e com suavidade incomparável me ensina o segredo de minha felicidade e da complacência de meu Pai, dizendo-lhe sempre como Ela: “Ecce, Fiat”…

Ó minha alma! Experimenta as coisas do Céu, e alegra o desterro das almas fazendo-as participar da doçura que se encontra na união com Deu”.


[1] As Cinco Obras da Cruz, inspiradas por Nosso Senhor a Venerável Conchita Cabrera de Armida (1863-1937), são o Apostolado da Cruz, as Religiosas da Cruz do Sagrado Coração, a Aliança de Amor com o Sagrado Coração, a Fraternidade de Cristo Sacerdote e os Missionários do Espírito Santo. A esta Congregação, fundada pelo Venerável Padre Félix de Jesus Rougier (1959-1938) pertencia o Venerável Padre Pablo.


(cf. Margarita M. González Tizcareño Muñoz, M.E.SS.T. “Sé en Quien he confiado…” Biografía del Siervo de Dios Pablo Ma. Guzmán, M.Sp.S.; México. 1995, pg. 154-155)