Porque quero falar e pregar?

Venerável Padre Pablo Maria Guzmán

09 de setembro de 1951 (T. III pag. 35)

17-06-16-pm2Porque quero falar e pregar?

Unicamente para a glória de teu Divino Pai, ó Jesus! Se não fosse por isso, buscaria o silêncio e a solidão para somente gozar na felicidade do meu sacerdócio.

Teu Coração, ó Jesus, arde em zelo pela glória de teu Pai. Por Ele, dei voz a todas as criaturas para que cantem a glória desse Pai. “Coeli enarrant gloriam Dei…” Mas como essas vozes não eram suficientes, quisestes falar Tu, palavra Eterna do Pai, e quisestes que seres transformados em Ti, preparados por teu mesmo Espírito, cuidados e aconselhados por tua Mãe Santíssima, fossem os encarregados de repetir essa Palavra através dos séculos.

E para conseguirem este fim, os fizestes donos de teu Sacrifício; pusestes em suas mãos a Hóstia Santa e lhe destes teu próprio Espírito. E assim o mundo contempla comovido quando ama, indiferente quando não ama, essa glória imensa que tua imolação dá a teu Pai.

Mas, ó Jesus! Tu queres, que antes de se consumarem os tempos, teu Divino Pai receba a homenagem universal que lhe é devida, e para isto, voltas teu Coração e teu olhar para aqueles que Tu mesmo escolhestes, para enriquecê-los com teu Sacerdócio e com voz comovedora nos pedes que realizemos essa Obra das obras, a glória de teu Pai. Pões para isto, uma vez mais, à nossa disposição todo o poder de tuas mãos, ou para melhor dizer, pões a Ti mesmo à nossa disposição. Estás disposto a nos dar quanto te pedimos para alcançar essa glória. Voltarás a ser para nós o Mestre que lhes deu todo poder contra o inferno; o Mestre que lhes deu o amor e os cuidados de sua própria Mãe, a Rainha do Céu.

Por isso, meu Jesus, não me desanima minha pequenez, antes me alenta para que Tu em mim faças tudo.

Sou sacerdote por tua bondade em me escolher; tenho teus poderes; te jurei amor e fidelidade;  e portanto devo escutar tua voz; devo atender aos gemidos inenarráveis de teu Divino Coração; devo obedecer-te e buscar antes de tudo a glória de teu Pai. Por isso falarei, por isso recorrerei o mundo inteiro, gritando às almas escolhidas para que se unam e busquem no Sacrifício Eucarístico a glória plena do Pai Celestial.

Nesse mesmo sacrifício ponho minha confiança para apagar tua sede de amor e glória para o Pai; para tirar forças na minha debilidade; para tirar sabedoria e luz na minha ignorância.

Ó Jesus! Nunca se ouvirá que alguém que recorra a Ti para pedir-te a glória de teu Pai, seja desamparado; por isso eu, pobrezinho Missionário do Espírito Santo e Pai daquelas almas que ao meu sacerdócio destes e lhe darás até o fim dos tempos, venho pedir-te tudo necessário para alcançar essa glória.

Movei os corações, arrasai teus inimigos que são os mesmos que se opõe a glória de teu Pai; fazei em mim ostentação de teu poder, e abre-me as portas do mundo das almas escolhidas; que não creiam em mim senão em Ti, no teu Evangelho; que não as comova eu senão o clamor ardente de teu Sagrado Coração.

E com uma graça insigne para meu sacerdócio e minha missão, te peço, ó Jesus, que me entregueis aos cuidados e amor providencial de tua Santíssima Mãe, considerada especialmente naquela solidão em que viveu depois de tua Ascensão e na que comprou graças extraordinárias para a Nascente Igreja.

Ao seu Coração que como o Teu, buscava a glória de teu Pai na santidade do sacerdócio, quero confiar o meu, quero que juntos recorramos o mundo; que juntos elevemos a Hóstia de meu Sacrifício; que juntos recebamos o Espírito Santo; e que seja Ela quem feche meus olhos na minha última hora, que receba minha última confidência aqui na terra e que seja Ela quem me abra as portas do Céu, para olhar através de seu olhar aquilo que tanto desejou na terra, a Face do Divino Pai, e juntos gozar eternamente daquela glória do Pai que é a glória de Deus, a glória dos bem-aventurados!


(La Fuerza del Sacerdocio, pg. 10-12)