“Quem pode algo contra um sacerdote fiel a sua vocação?”

Venerável Padre Pablo Maria Guzman

Exercícios espirituais em preparação aos seus 25 anos de sacerdócio na Casa da Cruz em San Luis Potosí, SLP.

(NP/33, p. 179-181.)

+ 17 de setembro de 1948

 

NP. celebrando 16

A Santa Missa do Venerável Padre Pablo M.

Estou como embobado, sentindo muitas coisas sem podê-las ou talvez sem querê-las expressar.

Seria necessário reconstruir no papel toda uma vida e isso é impossível.

O que quero expressar é que depois de 25 anos de Sacerdócio, longe de perder a fé nele, aumentou mais e mais. Comprovei em todas as ordens a verdade das promessas divinas ao Sacerdócio.

Nos triunfos, nas horas doces e nas horas amargar, senti a força incontestável do Sacerdócio.

Como teria podido fazer tantas coisas sem a graça do Sacerdócio? E como teria podido sofrer tanto sem a força do Sacerdócio?

Quem alegrou a minha vida senão o Sacerdócio?

Encontrei o que buscava: a paz da minha alma; o meio de fazer coisas grandes para glorificar a Deus. Encontrarei a fecundidade para minha alma.

Senti as doçuras inefáveis da paternidade espiritual.

Me alegrei dando almas a Deus; mas me alegrei no próprio amor de Deus.

Me alegrei consolando às almas; mas me alegrei mais com o único pensamento de dar um consolo ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria.

E se sofri muito foi pelas ofensas a Deus; pelo mal das próprias almas.

Desde que sou sacerdote, creio ter esquecido de mim mesmo. Deixei tudo por Deus e encontrei tudo em Deus.

Minhas misérias me fazem sofrer porque podem ofender a Deus; mas me fizeram experimentar a misericórdia divina.

Confesso que Deus não me faltou em nada; e isso queria proclamar em todo o mundo; para que se entusiasmassem todos os chamados por Deus a sublime vocação Sacerdotal.

Somos vítimas, mas rodeadas de amor divino; renunciamos a terra, mas se nos dá o Céu.

Nosso poder – dado por Cristo – é manifesto no Céu, na terra, no Purgatório e no inferno.

Quem pode algo contra um sacerdote fiel a sua vocação? O que pode impedir o cumprimento de sua missão?

O que parecia sonhos de criança são agora felizes realidades.

Uma só Missa faria a felicidade plena do sacerdote.

Mas… como expressar esses segredos de amor entre o Coração Sacerdotal e o Coração de Cristo?

E se alguém me perguntasse qual é a maior alegria da minha alma ao chegar aos meus 25 anos de sacerdote, lhe diria com toda a sinceridade de minha palavra sacerdotal, que essa alegria me dá encontrar meu coração identificado com o de Jesus, sobretudo em seu amor ao Pai; em trabalhar para formar os Adoradores do Pai que Jesus anunciou a Samaritana.

Me alegro ao me sentir amado por meu Pai; sob o olhar de meu Pai; fazendo em tudo sua vontade.

A outra alegria imensa para Maria a grande Mãe de Deus. Em fazê-la amar e em agradecer sua Maternidade Divina.

Me alegro ao me ver rodeado de almas que sentiram comigo e que são a linda realidade de meus anseios sacerdotais.

E o que peço nessa data memorável é: aperfeiçoar minha transformação em Cristo para amar o Divino Pai, para amar mais a Maria. E para tudo isso, que minha alma se encha do Espírito Santo.

A Ele, Diretor de minha alma desde criança; a Ele, o grande amor de minha vida, a quem não esqueço nunca e a quem envolvo no meu mesmo amor para o Pai e para o Filho; a Ele consagro minha alma uma vez mais e lhe confio plenamente minha vida.

Sendo seu apóstolo é como realizarei meu ideal de glorificação da Trindade Santíssima e de Maria. Ele foi em todas as alegrias e penas de minha vida, sempre como o Grande Consolador.

Ao acercar-me mais a Cruz de Cristo, com o correr dos anos, experimentei mais a doçura do Espírito Santo e compreendi mais a grandeza do dom inefável desse Espírito, fruto delicioso do Sacrifício de Cristo.

* * * *

E com tudo isso, volto meus olhos ao passado e bendigo a Deus, mas sobretudo olho para frente. Contemplo o grande campo das almas e as necessidades da Igreja, e me preparo com entusiasmo para dar o grande assalto a fortaleza do mal. Se algo pude fazer pela Igreja, é muito mais o que falta.

Só no dia de minha morte poderei dizer que termina a luta pela Causa de Deus.

Quanto receba, quanto Deus queira me dar por sua delicada Bondade, quanto me dê por intercessão de Maria e de tantas almas que pedem por mim, especialmente meus amados fundadores, Félix de Jesus e N.M.[1]; tudo quero empregar para glória de Deus, intensificando minha vida interior e meu apostolado.

Que essas graças se comuniquem abundantemente a meus filhos espirituais e as almas que colaboram comigo.

Tenham uma benção especial minhas irmãs missionárias que com grande entusiasmo e fé em Deus, se lançam a conquista do mundo pagão. E que seu esforço aperfeiçoe a vida do Instituto e atraia muitas e santas vocações a Obra.

Em resumo, o que peço é amor a Deus e para Deus, e almas, mas muitas, para que cantem a glória de Deus. Amém!


[1] N.d.T. Refere-se ao Venerável Padre Félix de Jesus Rougier ( 1859— 1938) fundador dos Missionários do Espírito Santo; N.M., isto é, Nossa Mãe, refere-se a Venerável Conchita Cabrera de Armida (1862-1937).