Padre Emile Neubert  

(1878-1967)

Sacerdote Marianista – Apóstolo de Maria

Neste Ano Mariano, convidamos todos a conhecer a vida de um dos grande Apóstolos de Maria do século XX. O Padre Neubert, religioso Marianista, foi autor de belíssimos e importantes livros de teologia e espiritualidade mariana, como pequeno clássico da espiritualidade mariana do século XX, “Meu ideal, Jesus o Filho de Maria“, livro apreciado e recomentado por São Maximiliano Maria Kolbe (1894 –  1941); assim como o livro “Maria Santíssima como a Igreja ensina“, ambos já traduzidos e publicados no Brasil. Entre suas obras, destacamos também o livro – ainda a ser publicado no Brasil – a “Vida de União com Maria“, excelente para almas chamadas a viver uma autêntica vida mariana.


1. Ribeauvillé 1878-1893

Emile Neubert nasceu em 08 de maio de 1878, aos pés dos Maciço de Vosges alsaciano em Ribeauvillé, um pequeno vilarejo do Alto Reno, próximo a Saint Hippolyte, onde a Sociedade de Maria fundou um Colégio que o Beato Guilherme José Chaminade [1] conheceu como casa de recolhimento.

As vocações de irmãos e padres marianistas são numerosas na Alsácia, especialmente na região de Val de Villé, a fé é viva e profunda nestas populações. As casas de Saint Hyppolite e de Ebersmunster, geridas pelos Marianistas, desfrutam de uma excelente reputação. Os irmãos de Maria dirigem as escolas e pensionatos de uma vintena de localidade alsacianas. Fora das antigas ordens, as congregações eram pouco conhecidas nesta época.

Citemos a Ordem dos Capuchinhos entre elas. Esses religiosos pregadores são ainda hoje responsáveis pelo célebre santuário de Nossa Senhora de Dusenbach [2] em Ribeauvillé e de sua peregrinação. Eles veem caminhar, no domingo e feriados, os habitantes de toda região. Os peregrinos param nas capelas e diante dos Calvários. No tempo de Emile Neubert, as caravanas paravam perto do Colégio de Saint Hippolyte, diante do Calvário erguido peto do grande portão.  Eles podiam entrar contato com os religiosos encapotados, tidos como acolhedores e calorosos [3]

Membro de uma família de doze filhos (nove irmãos e três irmãs) dos quais cinco morreram em tenra idade, o jovem Emilie recebeu, desde sua primeira infância, uma educação cristã.

Ele reconhecia que na sua infância, esteve em contato com outros jovens de sua geração que contradiziam sua busca para aliar suas ações com sua piedade querida por seus pais.  Deus era percebido por ele como fonte de proibições, de mandamentos a observar, no temor de uma punição: “Eu não comecei como uma criança piedosa e sábia” [4]. A primeira comunhão, na época, se celebrava com a idade de 14 anos na Alsácia [5].

“Eu ignorava então que estes Irmãos se chamavam Irmãos de Maria; assim, no meu espírito, não havia nenhum vínculo entre minha vocação e a Virgem Maria.

Não era mais costume realizar um ato solene de consagração a Maria, no dia da primeira comunhão; eu não tenho memória de ter tido o menor pensamento por Ela neste dia”.

Sua primeira comunhão marcam uma mudança decisiva na sua vida espiritual. E, escreve ele na sua biografia, o pecado “aparecia agora como uma falta contra o amor d´Aquele que deu sua vida por mim e que se deu todo a mim na Hóstia [6]”.

A decisão de rejeitar o pecado mortal e o pecado venial deliberado foi tomada em uma relação de amizade com Jesus.

É a minha mãe, Maria, que eu devo não ter cometido nenhuma falta plenamente deliberada consciente depois de minha primeira comunhão: que ela me prolongue essa graça até minha comunhão no céu![7]

Ele entra, após sua primeira comunhão, com a idade de 14 anos, no postulantado da Sociedade de Maria fundada pelo Padre Chaminade.

  1. Postulantado da Borgonha 1892-1894

O jovem Emile fez seu postulantado em Borgonha de 1892 a 1894 [8], recebido por M. Joseph Meyer que tinha a reputação de santo, do qual os antigos postulantes da Borgonha lembram-se com emoção pela impressão de dignidade sobrenatural e de paternal afeição que deixava, desde seu primeiro encontro, o venerado diretor! .”Seja bem-vindo, meu caro! Foi a Santíssima Virgem que o conduziu aqui, ela vos manterá”, dizia ele apertando a mão de suas muitas crianças. E estes, imediatamente, se sentiam a vontade com ele e ele lhes dava toda sua confiança [9].

Durante esse período, ele descobre a devoção a Maria, honrada em sua Sociedade: o Pequeno Ofício da Imaculada Conceição, rezado em latim, o qual ele não compreende nada. Ele rezava igualmente o terço e, toda manhã, o ato de consagração a Virgem, caro aos Marinistas, que lhe lembrava a devoção mariana de sua mãe [10].

Neste etapa, ele possuía algum conhecimento elementar relativo aos privilégios da Virgem Maria: “Maternidade Divina, Imaculada Conceição, Virgindade, uma ideia ao menos vaga de sua Mediação de graça, Assunção”. Lembrando-se da presença de protestantes em Ribeauvillé que condenavam o culto mariano dos católicos, ele estava pronto a defender este culto como teria defendido a infalibilidade papal. Mas ao mesmo tempo, ele reconhece que sua relação com Maria podia  amadurecer:

Minha devoção para com ela se reduzia quase ao culto obrigatório, quase nada desta atração instintiva para com a Virgem, minha Mãe celeste, desta confiança, desta necessidade e intimidade, desta vida de união, desta alegria plena que caracteriza a verdadeira devoção a Maria. Essa devoção, eu ainda tinha que descobrir. Minha Mãe iria me levar a esta descoberta, mas por uma via estranha[11].

E foi pelo apelo a “interioridade” tão caro aos Marianistas e, a uma vida mais sobrenatural, cativado mais e mais pelo amor de Jesus, que se fez seu encontro com Maria:

Até então, meu amor por Jesus consistia em evitar tudo o que podia desagradar-lhe. Agora, eu compreendo que esse amor me pedia dar-lhe tudo o que podia lhe agradar, fosse obrigatório ou não. Até então, tinha por limite os limites das minhas obrigações. Agora, não tinha outro limite que o bom grado de Jesus. Ora, ao mesmo tempo que eu compreendi completamente de outra forma o amor de Jesus, me senti cheio de uma devoção toda enamorada, confiante, plena para com a Mãe de Jesus, minha Mãe, como se tivesse sempre vivido na sua intimidade. Sem raciocinar – o que eu antes sabia teoricamente, eu sentia agora – no amor de Jesus, eu senti também que Maria é toda amor, que Jesus a deu a mim por Mãe e quer que eu a ame como ele; que ela me ama com amor que ama Jesus, e quer me ajudar a amá-lo como ela. E depois desta época, eu experimentei nela uma imensa confiança, certo que ela me obteria todas as graças, mesmo milagrosas se necessário, para realizar todas as intenções de Jesus sobre mim, as intenções de Jesus que são ao mesmo tempo as suas[12].

“No postulantado, eu soube por acaso de um colega que nosso nome completa era “Irmãos de Maria”. Isso não me impressionou mais que se ele tivesse me dito que nós éramos os “Irmãos de São Paulo”. Os postulantes tinha o hábito de ir comungar nos domingos e dias de festa. Aqueles que desejavam, iam também no sábado, porque nós íamos nos confessar na sexta-feira. Quem quisesse comungar um outro dia, devia pedir a permissão ao capelão. As instruções do capelão eram bastante lentas e eu não me lembro de ter sido tocado por qualquer coisa de sobressalente em seus ensinamentos”.

“Em torno da metade de meu segundo ano de postulantado, eu ia comungar duas vezes por semana, e três vezes em torno do fim do segundo ano. (Recordai-vos que isso foi uns quinze anos antes do decreto de Pio X sobre a comunhão cotidiana). Isso me ajudou a estar mais recolhido. Em seguida, meu amor por Maria e minha confiança na Mãe de Jesus não faziam senão crescer. Foi devido a alguma instrução, alguma leitura sobre Maria, se as coisas avançavam um pouco? Eu não me recordo, mas eu me recordo que durante a missa nós cantávamos cânticos a Jesus-Eucaristia, ao Sagrado Coração e a Maria, tão amorosa e tão amável, tudo isso aumentava minha devoção a um e a outro.  Durante o terceiro ano, minha devoção a Jesus e a Maria aumentou mais. Pode-se dizer que foi Jesus que me conduzia a sua Mãe, e Maria que aumentava meu amor por Jesus [13].

No fim do postulantado, seus superiores o enviaram ao noviciado de Courtefontaine.

  1. Noviciado de Courtefontaine 1894-1895

“Em setembro de 1894, eu entrei no noviciado com a ideia de me dar a Jesus e a Maria. Foi em  Courtefontaine, a uns vinte quilômetros de Besançon. O Padre Mathern, mestre de noviços a partir de 1871, era um santo sacerdote. Ele nos ensinava o curso habitual previsto para o noviciado, mas não curso de mariologia. Coisa que eu lamentava, porque nós éramos Irmão de Maria. É verdade que eu podia ler sobre esse assunto nas Constituições, que tinham sido aprovadas em Roma em 1891, três anos antes. Eu estava feliz em ler nos capítulos I, VI e XXX, o que se diz sobre nossa devoção especial a Maria. Eu compreendi que nós devíamos praticar a devoção a Maria em sumo grau, mas eu não via, que para além disso nossa devoção incluía uma carácter particular”[14].

“Dando-me conta que a qualidade de toda minha vida religiosa e que a fecundidade de todo meu apostolado dependeria em grande parte de meu fervor no noviciado, eu estava firmemente decidido a me dar a Jesus e a Maria, sem nenhuma reserva, custe o que custar. Eu creio ter sido fiel a tal resolução” [15].

Essa confissão de Emile Neubert, com vinte e quatro anos de idade na época de redação de seu manuscrito autobiográfico, é preciosa, como são todas as confidencias que nós recebemos de sua vida interior. Elas nos permitem traçar um verdadeiro itinerário espiritual com suas etapas bem conhecidas [16].  Sua obra publicada nos dá referências e orientações de sua vida espiritual. Nós podemos compreender melhor a unidade de sua vida com seu ensinamento.

Foi à partir do estudo das constituições da Sociedade de Maria, aprovadas em Roma em 1891, que ele compreendeu com dezesseis anos a especificidade da vocação religiosa marianista:

Eu compreendi que a devoção a Maria devia nos distinguir de todos os outros religiosos e que, o que devia nos distinguir, era que ela fosse considerada como a reprodução da piedade filial de Jesus para com sua Mãe e que ela devia ser mais perfeita que aquela de todos outros religiosos. De seu caráter apostólico e de suas relações com a própria fundação da Sociedade de Maria, não tinha nenhuma ideia. Além disso, não fazíamos curso de mariologia[17].

Ele pronunciou o voto chamado “de perfeição” privadamente, depois seus primeiros votos religiosos, em 15 de setembro de 1895, antes de ter sido enviado ao escolasticado[18] que iria prepará-lo para se tornar religioso leigo, apesar de seu desejo de ser sacerdote. Mas um médico diagnosticou nele um tremor na mão direita devido a seu nervosismo, seus superiores estimaram então, que ele não suportaria a fatiga dos longos estudos clássicos e eclesiásticos.

  1. Escolasticados 1895-1900

“Na época, existiam dois escolasticados, um para os professos que não se destinavam ao sacerdócio, o outro para os futuros sacerdotes. Meu desejo era tornar-me padre. Mas vi que minha saúde deixava a desejar – coisa que praticamente não mudou posteriormente – os Superiores buscaram o conselho do médico para saber se eu tinha forças para os longos estúdios que pressupunham o caminho ao sacerdócio. O médico me examinou, me perguntou uma ou outra coisa e disse aos Superiores que depois de um ano, seria incapaz de continuar os estudos. Na verdade, eu continuei a estudar por dez anos e a ler e a escrever todo dia. Mas o doutor tinha falado e os Superiores decidiram que eu iria ao Escolasticado “primário” em Ris, não distante de Paris “[…]

Que seria dos meus sonhos de me tornar padre e pregar sobre a Bem-aventurada Virgem? Certamente, eu não os abandonei, eu não desisti. Eu esperei que a Virgem me ajudasse; eu não sabia como, mas eu não abandonei a esperança“.

“Eu passei um ano em Ris. Eu consegui com sucesso o meu certificado de professor. Depois, o Padre Kirch, capelão dos escolásticos que estava ciente de meu desejo de me tornar padre, sem me avisar, pediu a Administração Geral me enviar ao outro Escolasticado, aquele de Besançon, para começar o estudo do latim. Eu não tinha, portanto, esperado em vão, e esse ano de oração e de espera tinha consolidado minha devoção a Maria” [19].

Foi após um ano passado no escolasticado inferior de Ris-Orangis, na esperança e na noite da fé, confiando na Virgem Maria, que ele teve pois a surpresa, depois da Páscoa de 1896, de ser enviado ao escolasticado superior de Besançon por quatro anos: de setembro de 1896 a 1900 na perspectiva do sacerdócio:

“Em Besançon, tendo em conta meus estudos anteriores e minha facilidade natural pelo estudo, consegui terminar o ciclo de estudos de latim, de grego e de matérias científicas e filosóficas, e passei no exame do bacharelado[20].

São Luís Maria Grignion de Montfort

Logo, lhe é permitido comungar todos os dias. Uma graça a qual ele muito ansiava e que lhe foi concedida em uma época ainda marcada pelo jansenismo: “Minha devoção a Maria se manteve a altura da minha devoção eucarística [21]”.

Diferentes obras conhecidas na época atraíram sua atenção:

No que concerne as obras que eu li sobre a bem-aventurada Maria, eu me lembro de As Glórias de Maria de Santo Afonso, que causou em mim uma grande impressão, a Vida de São Gabriel da Virgem Dolorosa, obra em italiano que tinha acabado de ser publicada; graças a uma velha gramática italiana e meu conhecimento de latim, eu consegui compreender quase tudo. A confiança deste santo na Mãe das Dores me impressionou fortemente. No fim de meu escolasticado, o Padre Kieffer – nosso diretor na época – me deu um exemplar do A Verdadeira Devoção a Maria por Grignion de Montfort.

Este autor insistia na santa escravidão, o que me tocou fortemente. Do fato que nossa doutrina sobre a devoção do Fundador em relação a bem-aventurada Mãe (Maria) era desconhecida, eu tinha chegado a me perguntar, durante um certo tempo, se essa devoção (aquela de Grignion de Montfort) não era superior à nossa” [22].

“A consagração a Maria que ele pregava me parecia mais total que a nossa e eu tentei encontrar uma correntinha para usar a insígnia da santa escravidão” [23].

  1. Caudéran, Monceau, Stanislas, 1900-1903

Ele foi enviado em seguida a diversas obras de educação em Bordeaux[24], depois Paris[25] onde ele continuou seus estudos universitários:

“Após o escolasticado, me enviaram a ensinar em nosso colégio de Caudéran (Bordeaux), onde eu ensinei o latim e o grego e, mais tarde, para a Intuição Santa Maria, rua de Monceau, em Paris para ensinar as mesmas matérias. Eu vi irmãos que levavam, conforme sua vontade, suas obrigações religiosas.  Uma ideia contribuiu grandemente para me manter no caminho do ideal, saber que eu jamais poderia fazer por meus alunos todo bem que eu deveria lhes fazer, e alguns entre eles pareciam bem-dispostos e ferventes, se eu mesmo não fosse plenamente fiel a graça; além do mais, eu não queria ser a causa de  que algum entre eles se perdesse por uma falta de zelo e fervor minha” [26].

Na França, a preparação da Lei Combes (1905) que fará partir todos os religiosos, resultará numa deserção importante de irmãos professores, principalmente de votos temporários, em todas as congregações. Emile Neubert foi posto à prova, mas ele se manteve.

Seus superiores lhe concedem um adiamento à seu pedido, e ele pronunciará seus votos definitivos como religiosos da Sociedade de Maria (adiamento que o obrigou a um abandono maior e a crescer sempre mais na esperança). Ele foi admitido à “profissão perpétua” em 02 de setembro de 1902.

Naquele dia, ele nos confia ter sido libertado definitivamente de toda tentação impura [27].

Esses votos definitivos – a profissão perpétua – correspondem, na Sociedade de Maria, a um compromisso de cooperação à missão apostólica de Maria com um voto suplementar específico: o voto de estabilidade.  O professo definitivo recebe então uma primeira obediência, que é a orientação de trabalho ou de estudo escolhido para ele para seus superiores.

Durante o ano de 1902-03, eu me dediquei aos estudos superiores no Colégio Stanislas e na Sorbonne onde tirei diploma clássico. Em seguida, eu fui enviado a nosso seminário em Friburgo, na Suíça, com 13 outros candidatos ao sacerdócio, porque o governo anticlerical então tinha confiscado a mais parte de nossas casas na França. Tinha sido planejado que fizesse um doutorado em teologia” [28].

  1. Seminário de Friburgo 1903-1907

Ao seminário internacional de Friburgo em 1903 a 1907, Emile Neubert recebeu sua formação sacerdotal prosseguindo seus estudos tomistas à Universidade [29].

Graças ao curso de exegese do Novo Testamento, Emile Neubert redescobre Jesus, ele aprofunda o estudo de sua humanidade:

“Estávamos estudando Nosso Senhor como homem, como homem semelhante a nós, tendo suas tristezas, suas angustias, suas próprias incertezas, como nós, suas obscuridades, suas decepções, dizia-se”.

“Até então, tinha considerado Nosso Senhor principalmente como doutor supremo e como um taumaturgo e acima de tudo, como o Deus de amor da Eucaristia. Agora, eu o via sob outro aspecto, o aspecto humano que o aproximou mais de mim. Nas minhas relações com a divindade, era Maria que me tinha servido de intermediária, Maria, Mãe toda boa, toda humana, toda santa se abaixa a mim, Mamãe toda enamorada e toda misericórdia que toma conta de seu filho. Mas Jesus era homem também como eu, tinha passado por experiências semelhantes a minha, ele poderia por consequência me compreender tão bem como Maria, mesmo melhor sendo do mesmo sexo que eu” [30].

No curso de um retiro de Quaresma em 1904, ele se interroga sobre sua relação com Maria: não devia agora limitar suas relações om Maria para se dirigir mais frequentemente a Jesus [31]?

“Não podendo encontrar a solução no meu espírito, me pus a rezar o terço para pedir a Maria quais deveriam ser agora minhas relações com ela.  Na terceira dezena, o nascimento de Jesus, eu compreendi que a missão de Maria tinha sido dar-nos Jesus e que sem dúvida, ela devia continuar essa missão dando-nos Jesus cada vez mais e mais. Depois deste dia, não tive mais dificuldade a propósito do papel de Maria na minha vida espiritual. Eu sempre constatei que mais crescia minha união com ela mais crescia minha união com Jesus. Maria me fazia compreender melhor e amar Jesus, e Jesus me fazia melhor compreender Maria. Agora, eu não posso mais pensar de uma forma amorosa em Jesus sem pensar de uma forma amorosa em Maria e vice-versa” [32].

Nesta época, forte nesta convicção, ele publica dois artigos [33] para sustentar aos sacerdotes e aos religiosos que podiam ter os mesmos questionamentos ou que eram que eram tentados a sair da Sociedade de Maria por causa da crise do modernismo que ganhava os espíritos.

Ele começa uma série de artigos, de livros que lhe serão pedidos gradualmente conforme e na medida de suas missões como “formador” que lhe aguardava na Sociedade de Maria, como Mestre de Noviços, como Diretor do seminário e “Diretor espiritual”[34].

O espírito apostólico cresceu nele na sequência de sua “segunda conversão” no postulantado, mas especialmente graças à uma descoberta importante que ele fez no final do seu primeiro ano do escolasticado, depois de uma pregação do Padre Klobb [35].

Para o jovem estudante de Friburgo, a luta toma o rosto preciso das oposições modernistas seguindo Loisy e alguns outros acadêmicos menos conhecidos. Essa crise punha em causa, por exemplo: a autenticidade de primeiros capítulos inteiros de São Lucas na sua integralidade, a passagem relativa a Maria e São João aos pés da Cruz; os dogmas da Virgindade de Maria e da Assunção (que será mais tarde definido) eram também refutados.

O pensamento ocasional destes dias me dá a impressão de uma recordação de um pesadelo[36]. Ora, o tempo tinha chegado para ele escolher o tema de sua tese de doutorado com um moderador.

É na oração que lhe vem a ideia “como uma distração[37], de fazer uma estudo sobre Maria nos Padres: “Marie dans le dogme de l’Eglise anténicéenne” (“Maria no dogma da Igreja antes de Nicéia).

Foi sob a direção de Monsenhor Kirsch, que ele redigiu sua tese, ela foi premiada e muito rapidamente publicada. Ela se tornou uma ferramenta de refutação contra várias afirmações nos debates produzidos pela crise modernista que pulicavam certas revistas [38]. De acordo com o Padres H. du Manoir e Laurentin, foi a primeira tese de doutorado a ser escrita sobre a Santíssima Virgem. “Mas o que me mais me alegrou, mais que esses elogios, foi a contribuição, não prevista, que ela trouxe para honra  e em defensa de Nossa Senhora” [39].

Ordenado sacerdote, em 05 de agosto de 1906, ele foi cotado para ser professor de filosofia, a serviço da Sociedade de Maria em América que tinha necessidade de sacerdotes professores

Foi o Padre Klobb que iniciou a redação do “L’Esprit de notre Fondation”. (O Espírito de nossa Fundação a partir dos escritos de M. Chaminade e os documentos primitivos da Sociedade, I-III, Nivelles, 1910-1916; IV, Fribourg 1944-1963.) Após morte do Padre Klobb, o Padre Lebon continuou o trabalho no espírito do Padre Klobb.

“Eu o conheci muito bem. Todas suas conferências focavam no espírito apostólico da Sociedade de Maria, considerada como exigência de nossa pertença a Maria, Ela que tinha criado [= chamado a existência] a Sociedade de Maria para ajuda em sua missão apostólica”.

“Eu nunca tinha ouvido mencionar esta ideia. Após a conferência, eu fui encontrá-lo para lhe dizer que tinha sido para mim uma coisa completamente nova: de onde ele tinha tirada essa ideia? Ele me indicou a carta do Padre Chaminade aos Pregadores de retiro do mês de agosto do ano de 1839”.

“Eu li e fiquei convencido. A Sociedade de Maria foi, portanto, o resultado da missão apostólica de Maria, e nenhuma outra congregação, foi ela mesma consagrada a Maria, nem tinha uma missão similar”. 

  1. Estados Unidos 1908-1921

Após alguns meses de aprendizagem do inglês e o tempo para ele de se impregnar dos escritos do Fundador, ele parte para Dayton onde muito rapidamente, ajuda um mestre de noviços. Ele se encarregará de sua formação mariológica:

“Em janeiro de 1908, eu desembarquei em Nova York. Em Agosto de 1809, fui nomeado capelão do Postulantado ocidental na Villa St Joseph, em Ferguson, Mo. Eu escrevi e reproduzi para os postulantes um curso sobre a vida, os privilégios e a devoção a Maria [40].

Seu apostolado era então formar religiosos e futuros sacerdotes, ele terá entre seus alunos futuros formadores:

Eu sempre experimentei uma alegria profunda em trabalhar em uma casa de formação, onde há uma preocupação direta com os jovens da família de Maria, e de um ponto de vista apostólico, o bem que influenciará sobre seu futuro apostolado que se derramará sobre centenas e mesmo milhares de almas que eles terão sob sua mão” [41].

“Passei o exame e obtive a menção summa cum laude. Fiquei feliz de ter tido essa menção visto que se tratava da Virgem Maria. Muitos anos depois, o Padre Laurentin, célebre teólogo de Nossa Senhora de Lourdes e o Padre du Manoir sj, diretor da grande enciclopédia marial MARIA se deram conta que essa foi a primeira tese doutoral  consagrada a um tema mariano em uma universidade”.

Em 1909, Emile Neubert é nomeado professor no Colégio Santa Maria de Dayton[42]. Ele oferece uma formação em mariologia: “Aos capítulos relativos aos títulos atribuídos a Maria, acrescentei o capítulo relativo a seus privilégios e um terceiro, relativo a devoção [43]”.

No ano seguinte, prega um retiro de vinte e um dias para os futuros professos definitivos durante as férias de verão.  Seu ensinamento era impregnado de elementos mariológicos do Fundador, graças a utilização de fascículos que serão publicados posteriormente sob o título: Espírito de nossa fundação [44].

Em setembro de 1910, foi nomeado Mestre de noviços em Ferguson, ele só tinha trinta e dois anos:

Ao me anunciar esta nomeação, o Padre Lebon me enviou um capítulo sobre a devoção a Maria da obra: O Espírito de nossa Fundação que tinha acabado de sair do prelo. Foi assim que eu redigi um novo curso de mariologia segundo os ensinamentos do Padre Chaminade[45].

Foi inspirado pela doutrina e a espiritualidade de Guilherme José Chaminade de quem tinha começado o estudo na Sociedade de Maria. Ele dá aos noviços do curso mimeografados nos quais nós vemos aparecer certas ideias mestras que ele desenvolverá no seu corpus: a vida de Cristo em nós,  a imitação de sua piedade filial para com Sua Mãe, a missão apostólica de Nossa Senhora, a união a Maria, fonte de santidade […]

O jovem professor aproveitou a ocasião de popularizar o ensinamento mariológico, com um esboço de um tratado sobre o tema, com os já realizados em precedência, acrescentando um capítulo sobre a “consulta” a Maria:

Em 1914, eu terminei a impressão de A vida interior da Sociedade de Maria [46] trazendo referências múltiplas a Maria, encorajando o leitor a consultá-la a fim de que Ela nos diga como imitar Seu Filho“.

Sua permanência de treze anos passados na América, a serviço da formação dos futuros religiosos e a pregação de retiros aos religiosos marianistas que lhe pediam no verão, durante seus retornos pontuais a Europa, o prepararam para a escrever.  Ele começou pela publicação de alguns artigos e continuou com esboços de livros sob a forma de cursos e dos ensinamentos que ele dava segundo os diferentes níveis do público [47].

  1. Retorno a Europa. Estrasburgo – Friburgo 1921-1949

Em 1921, ele é chamado a Europa. Emile Neubert é nomeado diretor do seminário marianista de Friburgo, após dois anos como professor de filosofia em Estrasburgo, depois da Villa São João em Friburgo. Ele completa a formação dos seminaristas com cursos de mariologia.

Ele retoma o programa de postulantes de Ferguson em mariologia – a vida de Maria, seus privilégios e a devoção para com ela, adaptando-os à formação intelectual e teológica dos seminaristas que lhe eram confiados:

“Anteriormente, nenhum curso de mariologia havia sido dado aos seminaristas. Eu os fiz seguir um sobre a vida e sobre os privilégios de Maria, o qual (o curso) em seguida, foi impresso sob os títulos de A Vida de Maria e de Maria no Dogma (publicado no Brasil com o título “Maria Santíssima como a Igreja ensina”). Uma outra obra, impressa mais tarde, sob o título de A Devoção a Maria, tratava desta devoção geral, seguido ainda de um outro Nosso Dom de Deus, tratava da devoção a Maria na Sociedade de Maria[48].

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Beato Guilherme José Chaminade, fundador da Família Marianista

De 1922 a 1949, ele se consagra totalmente à formação dos sacerdotes da Sociedade de Maria: seus estudos, sua preparação pastoral e principalmente a direção espiritual. A vontade de dar à Igreja santos sacerdotes motiva uma incessante busca para revelar a seus seminaristas os esplendores do dom de si a Cristo por Maria. Ele tinha dias muito ocupados.  Na universidade dava cursos filosóficos e teológicos, mas tinha que garantir a formação religiosa e sacerdotal. Neste contexto, ele colocou cursos de espiritualidade e de doutrina mariana e se esforça para melhor fazer compreender o pensamento e o espírito do fundador da Sociedade de Maria, o Padre Guilherme José Chaminade.

Muitos de seus seminaristas escolheram o assunto da tese de doutorado no campo da mariologia, assunto privilegiado na pesquisa em patrística e ou nos autores mais próximos a nós [49].

Ele não deixou de manter contatos ligados a pesquisa em mariologia em todo mundo, apesar de suas responsabilidades no seminário de Friburgo. Com efeito, desde 1930, ele participou ativamente no movimento mariológico francês. Ele se tornou um dos fundadores da Sociedade Francesa de Estudos Marianos. De 1935 a 1953, ele foi eleito conselheiro do primeiro presidente, o P. Morineau. Essa Sociedade organizava um congresso todos os anos, em diferentes lugares significativos no plano mariano na França (exceto no período da guerra 1939-145). Foi a partir de um destes congressos que foram publicadas as conferências [50] até em 1963 (ao final do Concílio Vaticano II [51])

À partir de 1938, ele se torna membro da seção teológica do congresso mariano nacional e, à partir de 08 de dezembro de 1951, membro ordinário da Academia Mariana Internacional de Roma. Ele participou dos grandes Congressos internacionais que seu Presidente, o Padre Balic, reviveu. Ele segue os trabalhos destas organizações até 1961, data do Congresso nacional de Lisieux onde o vemos pela última vez.

A idade e as enfermidades o obrigaram a renunciar a suas atividades. Em 1949, termina suas funções de superior do seminário. Ele permanece a serviço de seus jovens irmãos como confessor.

É nomeado capelão em Grangeneuve, depois no noviciado de la Tour de Sçay, perto de Besançon.

  1. Grangeneuve – La Tour de Sçay 1949-1962

Sua aposentadoria foi estudiosa, porque ele concluiu suas publicações todas dando cursos aos noviços. Deve-se assinalar sua correspondência como diretor espiritual uma obra em si, que ainda não é possível avaliar a extensão.

Nos últimos tempos de sua vida, acompanhou os trabalhos mariológicos por uma rica correspondência.

  1. Retiro a Art-sur-Meurthe 1962-1967

De 1962 até a sua morte, ele conheceu cinco anos de verdadeiro retiro na Lorraine. Anos privados de atividade, mas de uma grande densidade interior, sua fé irradiava misteriosamente sob a forma de um profundo abandono. Ele via declinar suas forças e principalmente sua memória do seu cotidiano imediato. Misteriosa revanche!

Seus irmãos adivinhavam a santidade do Padre. Dócil a todos, ele recebia seus conselhos e orientação com seu bom olhar voltado ao interior que entrega a seu próximo a simples caridade de um homem habituado a se abandonar a seu Mestre divino e a sua Mãe do céu. A rude provação da extrema velhice levantou o véu sobre o segredo vivido por aquele que havia tanto pregado a vida em Cristo pela união a Maria, no esquecimento de si.

Ele morreu em 27 de agosto de 1967, três dias após a data de aniversário simbólica da famosa carta chamada “de 24 de agosto”[52], que o Bem-aventurado Guilherme Chaminade escreveu para melhor explicar o carisma da vida religiosa marianista. O que tinha que estar no centro da obra e de sua vida,  estas poucas palavras resumem: “Assistir Maria na sua missão apostólica“.

Com o Padre Neubert desaparece um eminente representante de uma geração que deu a Igreja, o serviço inestimável de promover uma devoção enraizada nas exigências doutrinas da fé

Uma última nota da vida do Padre revelará melhor sua alma mais do que este breve perfil biográfico poderá fazer. Durante os últimos dias de sua vida, ele amava repetir o fim de uma poesia composta por ele em 1905 ( “Uma homenagem a Nossa Senhora” que pode-se encontrar no fim da última edição de Meu Ideal, Jesus Filho de Maria, de 1963); a oração adota o estilo das lamentações em velho francês:  E quando morrendo, Tu virás; então vem, recebe-me em teus braços, Virgem Bendita[53]!


É assim que o Padre Théodore Koehler conclui a breve apresentação biografia daquele que foi seu mestre e Pai espiritual; ele me confiou uma só palavra que devia marcar o discípulo por toda a sua vida, por que ele se lembrava dela em 1994, então ele mesmo contava com 83 anos de idade[54]: “Seja fiel à vossa graça, à toda vossa graça”. Esse conselho à Théodore Koehler iluminou sua vida. Nós descobrimentos o vínculo estreito que liga sua ação pastoral à sua obra de escritos e igualmente, entre a mensagem dada por suas obras e a formação oferecida a toda família marianista. Deve-se mencionar os retiros que ele pregava às Filhas de Maria (as Irmãs Marianistas), fundadas em 1816 pela Venerável Adélia de Batz de Trenquelléon, em conexão ao Beato Padre Guilherme José Chaminade, um ano antes da fundação dos Irmãos de Maria (Marianistas)

Ele trabalhou na redação das novas constituições das Irmãs Marianistas, para que, seguindo seus Irmãos, elas pudessem incluir o voto de estabilidade no momento da profissão definitiva.


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ORAÇÃO

Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo, no Padre Emile Neubert, recebemos o testemunho de um padre evangelizador cujo ideal foi amar Jesus com o Coração de Maria e amar Maria com o Coração de Jesus. Conforme sua expressão, ele consultava Maria, persuadido que ele não conseguiria nada sem ela: “O que vamos fazer para agradar a Jesus?” Seguindo-o, atraí-nos sempre mais nos caminhos da conversão, da santidade e da missão.  Dai-nos os sinais visíveis de sua santidade concedendo-nos as graças nós pedimos por sua intercessão… Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém

Com aprovação eclesiástica

de Mons. Jean-Louis Papin, Bispo de Nancy e de Toul

14 de junho de 2013.

Relatar qualquer graça obtida ao:

Postulador Geral da Sociedade de Maria

Curia Generalizia dei Marianisti,

Via Latina 22 00179 ROMA ITALIA

genpostsm@smcuria.it


[1]  Guilherme José Chaminade, 1761-1850, co-fundador com Adélia Adèle de Batz de Trenquelléon 1789-1928; beatificado pelo Papa João Paulo II no ano 2000.

[2] Cf. Autobiographie, p. 23. Esse santuário em ruínas depois da Revolução tinha conservado uma pequena capela onde os membros da Família Neubert, particularmente a mãe, iam rezar em muitas ocasiões, obtendo graças, especialmente curas.

[3] Cf. Collectif, Bibliographie de Monsieur Charles Dillenseyer (1902-1950), AGMAR, cote 1840-14, Marianistes, Rome, 1951, p 5.

[4] Autobiographie,  p.12.

[5] Cf. E. NEUBERT, Un prêtre de Marie. Le Père Joseph Schellhorn, Centre de Documentation Scolaire, Paris, 1948, p. 17. Emile Neubert comenta: “Foi bem tarde, mas assim queria o costume e seria surpreendente se essa idade fosse antecipada”.

[6] Autobiographie, p. 19.

[7] Ibid., p. 20.

[8] Cf Un prêtre, p. 23. Emile Neubert acrescenta: “Obrigado pelo “Chanceler de ferro” a deixar suas florescentes escolas na Alsácia, a Sociedade de Maria tinha em 1874, transferido seu postulantado de Enersmunster (Baixo Reno) à Bourogne, pequeno vilarejo situado sobre o canal do Ródona e do Reno, ao Sudeste de Belfort, a menos de 8 quilômetros da fronteira. Durante sua existência, de 1874 a 1903, essa casa hospedará mais de 1300 alsacianos, vindos para aprender a vida religiosa na Sociedade de Maria”.

[9] Ibid., p. 24. Emile Neubert testemunha: “Trabalhava-se bem, divertia-se bem, rezava-se bem, cantava-se bem, especialmente cânticos à Virgem, e podíamos comungar bem mais frequentemente que em casa, conforme a devoção de cada um”.

[10] Uma vez que se torna sacerdote e, na partilha com sua mãe,  ele o vinculará conscientemente.

[11] Ibid., p 12. Ele acrescenta na sua carta ao superior geral que apresenta a autobiografia que havia escrito: “Não foi senão que em torno dos meus quinze anos que a devoção à Maria me atraiu pouco a pouco: eu não havia sonhado em me tornar um autor mariano”.

[12] Ibid., p 25. É a segunda conversão vivida pelo jovem Emile Neubert.

[13] JARC, Appendice IV, p. 1-2. Vale a pena, contudo conhecer o texto atual das Constituições que dá o sentido específico do compromisso religioso marianista ao qual o prepara o noviciado: “Para nos consagrar a Deus por vínculos sólidos e estáveis, nós fazemos publicamente profissão de seguir os conselhos evangélicos de castidade, de pobreza e de obediência. Essa profissão nos constitui membros de uma sociedade que pertence a Maria, a quem nós somos consagrados. Na intenção de tornar essa consagração explícita e permanente, nós acrescentamos a esses votos, na profissão perpétua, o voto de estabilidade, sinal e selo de nossa vocação. Esse voto é um compromisso a perseverar na Sociedade de Maria; seu espírito nos exige de fazer conhecer, amar e servir Maria e de nunca lhe recusar nossa participação à Sociedade que lhe pertence. Por nossa entrada na Sociedade de Maria para seguir a Cristo, nós nos comprometemos irrevogavelmente ao serviço de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe”. In: Règle de la Société de Marie (Marianistes) 1983, Saint-Paul, Bar-le-Duc, 1984, p. 23.

[14] Ibid., p. 2.

[15] Autobiographie, p. 27.

[16] Cf. MARIE-EUGENE DE L’ENFANT JESUS ocd, Je veux voir Dieu, Venasque, éd. du Carmel, nouvelle édition revue et corrigée, 1998 (1957). Recentemente publicado no Brasil: MARIA-EUGÊNIO DO MENINO JESUS, O.C.D. Quero ver a Deus. 1ª edição.  Petrópolis. Ed. Vozes. 2015.

[17] Autobiographie, p. 28. Emile Neubert precisa:”Foi no noviciado que eu soube que o Fundador da Sociedade de Maria se chamava Chaminade, e que de acordo com uma tradição, ele recebeu da Santíssima Virgem a missão de fundar a Sociedade de Maria”.

[18] Escolasticado inferior de Ris-Orangis, 1895-1896.

[19] JARC, Appendice IV, p. 3.

[20] Ibid, p. 3

[21] Autobiographie, p. 34.

[22] JARC, Appendice IV, p. 3.

[23] Autobiographie, p. 35.

[24] Caudéran agora faz parte da cidade de Bordeaux.

[25] As Escolas de Monceau, depois Stanislas.

[26] JARC, Appendice IV, p. 3.

[27] Autobiographie, pp. 39-40. Emile Neubert acrescenta: “Não é preciso dizer que com relação as precauções a serem tomadas para assegurar a guarda da pureza, eu me comporto como deve fazer aqueles que estão sujeitos a tentação. Temo, em tomar mais liberdades que esses, ser privado deste privilégio”.

[28] Ibid., pp. 39-40.

[29] Cf. THEODORE KOEHLER, Brève biographie sur le Père Emile Neubert, Appendice in Autobiographie, ARS G.L., Roma, 2002, p. 83.

[30] Autobiographie, p. 41.

[31]O futuro Papa João Paulo II conheceu um questionamento deste tipo, quando era operário de uma fábrica durante a segunda guerra mundial. Cf. Varcare le soglie della speranza, Mondadori, 1994, p. 231.

[32] Autobiographie, p. 42.

[33] X. X., pseudônimo de EMILE NEUBERT, «Une crise», in L’Apôtre de Marie, 15 out. 1905, pp. 144-145. Ben Miriam, pseudônimo de EMILE NEUBERT, «Voici mon sang qui sera répandu pour beaucoup en rémission de leurs péchés», in L’Apôtre de Marie, março- abril 1905, pp. 192-195, citado por GERALD JARC op. cit. p. 16

[34] Cf. Autobiographie, p. 12, carta ao Superior Geral: “[…] Uma vez comprometido por circunstâncias providenciais à redação de artigos e livros sobre o tema mariano, tinha afastado de minha perspectiva a composição de alguns livros sobre a Santíssima Virgem que me propunham, e que posteriormente, escrevi ou me propus a escrever se viver o bastante.

[35] Cf. JARC, Appendice IV, 4. Emile Neubert continua: “O Padre Klobb, sacerdote santo, ao mesmo tempo inteligentíssimo, foi secretário do Padre Simler, que ele viria ajudar na redação da primeira vida do Fundador”.

[36] Autobiographie, p. 26.

[37] JARC, Appendice IV, p. 3. Emile Neubert precisa : “Era esperado que eu fizesse um doutorado em teologia. Foi durante uma meditação que me veio a ideia de escolher como tema um tema mariano. Com a aprovação do professor de patrologia, Mons. Kirsch, tomei como tema: Marie dans l’Eglise anténicéenne”.

[38] Na sua autobiografia, ele menciona dois artigos, dando passagens. Cf. Revue des Sciences Philosophiques, julho 1908 ; Revue du Clergé Français, vol. 53, pp. 433-440.

[39] Autobiographie, p. 50.

[40] JARC, p. 5.

[41] Autobiographie, p. 53.

[42] A faculdade que se tornou mais tarde a célebre universidade mundialmente conhecida, com sua seção de mariologia ligada a Universidade Pontifícia Marianum de Roma.

[43] Ibid., p. 54

[44] L’Esprit de notre Fondation d’après les écrits de M. Chaminade et les documents primitifs de la Société, I-III, Nivelles, 1910 -1916 ; IV, Fribourg 1944-1963.

[45] JARC, p. 5.

[46] Ibid., p.5.

[47] Ibid., p. 5. Os testemunhos recebidos daqueles que o escutam pregar convergem: “Ele não era um orador, mas se redimia pelo conteúdo de sua exposição e a convicção com a qual a se exprimia”.

[48] Ibid., p. 5.

[49] Francis Friedel (1897-1959), estudou a mariologia do Cardeal Newman ; Peter Resch (1895-1956), aquela de São Bernardo; Albert Mitchel (1899-1979), a de São João Damasceno; Ludwig Hammersberger (1906-1950), a de São Efrém; Irmão Bruder, a de Santo Anselmo e Paul Hoffer (1906-1976), a do movimento jansenista.

[50] Cf Etudes Mariales, Bulletin de la Société Française d’Etudes Mariales.

[51] Essa Sociedade se constitui oficialmente à partir de uma convenção realizada  no início de setembro de 1935 em Paray-le-Monial. A inspiração vem do P. Morineau da Companhia de Maria (Monfortinos) que foi o primeiro responsável pela direção, assistido por quatro outros membros, entre eles o Padre Emile Neubert. (Cf. GEORGES JOUASSARD, La Société Française d’Etudes Mariales, in Maria, Du Manoir, tome III, pp. 629-633).

[52] Cf JEAN-BAPTISTE ARMBRUSTER, L‘état religieux marianiste. Etude et commentaire de la lettre du 24 août 1839, Marianistes, Paris, 1989

[53] KOEHLER, p. 532.

[54] Théodore Koehler morreu em 15 de maio de 2001.