O Corpus Christi e a Madre Madalena

“Dia de Corpus Christi, que tão enraizado está na minha vida”, assim escreverá a grande escritora mística passionista, a Venerável Madre Madalena de Jesus Sacramentado ao seu Diretor o Servo de Deus Padre Arintero, em Carta de 11 de junho de 1925.

A Madre Madalena durante toda sua vida terá uma relação muito especial com a Solenidade de Corpus Chirsti, pois para ela marca a data de uma grande graça recebida de Jesus Sacramentado.

No Corpus Christi de 1905, a jovem Josefina, nome de batismo da futura Madre Madalena, com apenas 17 anos, fez ‘voto de castidade’. Durante a Solene Procissão Eucarística daquele ano, ela recebe de Deus uma grande graça, que ela descreverá amplamente também na sua Autobiografia. Na Carta de 07 de fevereiro de 1922¸ ela conta assim a beleza deste dia ao Padre Arintero:

Quase um ano antes de entrar no convento ouvi falar do voto de castidade. Perguntei o que significava e me disseram que quem o fazia deveria viver como um anjo, escolhia por esposo a Jesus e não podia pensar em amar a outro senão a Ele. Em seguida, pedi ao confessor permissão para fazê-lo e no dia de Corpus Christi do ano 1905, depois de comungar, prometi a Jesus viver como um anjo. As coisas desse dia estavam dispostas de modo que tudo me falava de pureza. Com a Congregação da Imaculada fui à procissão vestida de branco, pedi ao confessor permissão para levar o cilício em reparação pelas irreverências que Jesus havia recebido. Creio que Ele deve ter gostado disso, pois me recompensou com grande profusão de graças…

Enquanto o sacerdote passava com o Ostensório, eu fixei meus olhos naquela Hóstia branca, manancial de pureza; e Jesus me fez sentir que Ele era o amor por quem suspirava meu coração. Não sei dizer o que senti; somente sei que uma força me atraia a Ele; e me adiantei para colocar-me mais próxima que pude d´Aquele que havia ferido meu coração. Uma pobre mulher, ao notar este meu afã, me empurrou para trás dizendo: “Querem ser sempre as primeiras em todos os lugares?”. Como meus pensamentos eram tão diferentes dos seus, fiquei tranquila onde ela me deixou. Então Jesus me fez sentir no coração estas palavras: “No céu me seguirás sempre, e ninguém te poderá afastar de mim”. Estava minha alma inundada de consolos, de um consolo que não é desta terra. Chorei muito. Sei que depois disseram a minha mãe: “Sua filha parecia um anjo”. Se tivessem dito ainda mais, não me estranharia, porque me sentia cheia de Deus.

Quem poderia esquecer tal graça ? Sim, já na Terra, Josefina seguirá sempre a Jesus Sacramentado, até tornar-se Monja Passionista, e receber este nome belíssimo “Maria Madalena de Jesus Sacramentado”. Ela será para sempre de Jesus Sacramentado.  “Ó, sim, de Jesus Sacramentado tenho que ser, já que me tomou como sua, para que me imolasse continuamente como Ele, e com Ele, por seu amor”, escreve ela ao Padre Arintero.

Desde então e por toda sua vida, a jovem Josefina viverá com os olhos fixos naquela Hóstia Branca. cantando ao “Deus que é alegria da minha juventude“, ao “Sacramentado Esposo“, como fala o seu Pai São Paulo da Cruz.

Assim, na Carta de 21 de janeiro de 1930, a Madre Madalena escreverá ao P. Sabino Lozano, O.P. – digno sucessor do Padre Arintero : “Anteontem, dia de Corpus Christi, recordei as inumeráveis graças que recebi faz muitos anos quando, loucos de amor, Jesus e Josefina, corriam um atrás do outro, até que no fim Ele venceu e eu caí a seus pés.  Quantos triunfos do amor divino sobre minha pobre alma! Todos os anos, no dia de Corpus Christi, recordo um destes muito grande... Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”.


Ó, Jesus Sacramentado, atraí-nos a Vós, feri o nosso coração, que triunfe em nós o Vosso Divino amor, para que com olhos fixos nesta Hóstia Branca, manancial de pureza, possamos como a Madre Madalena, seguir-Vos sempre já nesta terra, e especialmente no Céu, onde ninguém nos poderá nos afastar de Vós, onde cantaremos eternamente as vossas misericórdias.