Este escrito da Madre Maria Teresa Desandais, foi publicado e divulgado pelo Padre Arintero, na Espanha, já em 1920, e posteriormente na Revista “La Vida Sobrenatural”, vol.4, 1922, publicou um texto quase igual a este, exceto pequeníssimas mudanças, com o título “Os Amigos de Jesus” 


Chamamento aos amigos do Coração de Jesus

A hora chegou! A hora de oferecer ao Coração Adorável de Jesus, Nosso Divino Rei do Amor, o “dom” que tão ardentemente deseja e reclama com tantos pedidos há mais de dezenove séculos. São Paulo dizia que todas as obras exteriores mais heroicas nada eram sem a caridade, e Nosso Senhor, que não cessa de pedir “amor” às suas criaturas, nos fez compreender em seu Evangelho, nos fez entender por São João, inspirado pelas palavras do Mestre, que o amor de Deus para ser verdadeiro deve se traduzir em amor ao próximo:

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

“O que fizeres ao mais pequeninos dos meus, a Mim o fazeis”.

“Aquele que diz que ama a Deus e não ama ao próximo é um impostor”.

Nesta época em que se formam tantas associações de zelo e de abnegação para adiantar o Reinado do Coração de Jesus e para consolo da humanidade, nos vemos obrigados, no entanto, a comprovar que falta muitas vezes o espírito de caridade, esse verdadeiro espírito cristão – espírito de Jesus – que deve ser a alma e a vida de nossas obras. – Só na eternidade saberemos o que é um ato de caridade a mais ou a menos na vida; já que é, segundo a medida da nossa caridade, que seremos julgados, e que o Senhor, infinitamente justo e soberanamente misericordioso, será para nós severo ou favorável, segundo nos tenha encontrado para com o próximo.

O objeto destas horas é fazer um chamamento ao vosso zelo – e ao das pessoas que vos rodeiam – para que Nosso Senhor encontre em nós, e por nós, cada vez mais “esse reinado de Caridade”, que é seu próprio reinado na terra.

Assim como para estabelecer Jesus como Rei dos lares, o admirável meio empregado com tanto êxito foi conquistar para Ele família por família, para estabelecer de verdade a Jesus como Rei das almas, Rei dos Corações, é preciso fazer alma por alma, coração por coração… e isto pela fé no Amor e pela caridade.

 A onda de impiedade vai subindo sempre, aumentando e crescendo com as desordens espantosas que traz consigo; como a depravação dos costumes, o endurecimento das consciência, a ambição e o egoísmo que invadem todas as classes da sociedade.

O único remédio eficaz seria sem dúvida a prática verdadeira e sincera da Lei do Amor de nosso amadíssimo Rei, que parece desconhecida entre os seus; pois não é raro, em nossos dias, ver cristãos que comungam de manhã e no mesmo dia não temem manchar sua língua ou seu coração com essas faltas tão reprovadas pelo Mestre e das quais quase não fazem caso.

É certo que a Caridade Evangélica impõe muitos sacrifícios; mas que sacrifícios são comparáveis a estes feitos pela glória e alegria do Coração de Jesus!…Oh, que reparação de amor maior e mais bela que consistiria em submergir a onda de ódio, que se agita ameaçadora, sob uma imensa onda de amor e de misericordiosa caridade – que saindo do Coração de Jesus se derramasse por seus amigos sobre o mundo, para que esse Coração adorável seja glorificado não só com palavras, mas sobretudo com exemplos, e que todos conhecessem  que a salvação vem d´Ele, inspirador de todo bem… e foco vivente da sobrenatural Caridade…!

Não se trata, pois, aqui de nenhuma obra nova, nem de novas obrigações – senão de um íntimo chamamento a todos os Amigos de Nosso Senhor, Sacerdotes, Religiosos, Consagrados e pessoas do mundo, em qualquer situação que se encontrem e seja qual for a sua vocação, suas ocupações e sua idade. Oxalá se unam tão fortemente pelos laços da caridade, que se alegrem mutuamente de suas alegrias e de seus êxitos, ajudando-se reciprocamente em suas penas e trabalhos, mostrando-se em verdade tais como Jesus os quer, e desagravando seu Adorável Coração – por um amor verdadeiro e bem compreendido – de tanta indiferença e sobretudo do desprezo de seu Mandamento sacratíssimo! Pois tantos pobres cristãos há que necessitam ser arrastados e abrasados com o fogo e os exemplos de “Caridade” dos Amigos e dos Apóstolos do Divino Coração!

Este movimento de caridade atrairá, não podemos duvidar, sobre as pessoas consagradas ao Sagrado Coração, a abundancia imensa de bênçãos que Nosso Senhor prometeu aos seus amigos – pois se trata unicamente de sua Glória e de sua Alegria – do avanço do seu Reinado de Amor em nossas almas – e do bem da paz na sociedade.

A LEGIÃO dos Amigos do Coração de Jesus

para sua glória e salvação das almas

Tendo Jesus feito o sacrifício das doze legiões de anjos que seu Pai lhe podia dar para consolá-lo e defendê-lo durante sua Paixão… devemos nós, para desagravá-lo, no possível, em vista de nossa pequenez e a grandeza de seu Amor, procurar ser a Legião dos verdadeiros Amigos e dos Apóstolos de seu Coração – A Legião de seu Amor Misericordioso, pelo cumprimento dos desejos e pela imitação das virtudes… sobretudo da Caridade de seu Coração.

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Pelo Amor Misericordioso fomos escolhidos e seremos salvos… Ele nos alcançou a “vitória e a Paz” e é imitando o Amor Misericordioso que ajudaremos ao nosso “rei Jesus” a salvar o mundo e a reinar nos corações.

Com a legião das almas pequeninas de Santa Teresinha do Menino Jesus prometeu atrair atrás de si, quer formar um exército de almas pequeninas, mas almas cheias de espírito de sacrifício… geradas no Calvário e nascidas de seu Coração traspassado…

 Almas unidas a Ele,

Que lhe ofereçam sem cessar…

E se ofereçam n´Ele e com Ele,

E que sejam: Amor Misericordioso como Ele

(Caridade e Misericórdia a imitação d´Ele).

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A elas também se dirige a palavra de Jesus a sua amada discipula Margarida Maria:

“Eu te escolhi para oferecer a meu Pai sacrifícios ardentes, para aplacar sua justiça e para tributar-lhe uma glória infinita, pela oferenda que lhe farás de Mim mesmo nesses sacrifícios, unido a do teu ser para o honrar o meu”.

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O que Ele pede a estas almas?

A fé em seu amor;

A confiança em seu amor;

A confiança em sua bondade;

O exercício perfeito da caridade… pelo esquecimento de si mesmas e o sacrifício… isto é, a correspondência e a conformidade com as disposições de seu Coração reveladas por suas sete palavras no Calvário.

Por isso, nada voluntário, nem nos pensamentos, nem nas palavras, nem nas ações, que seja no mais mínimo contrário a confiança e a misericordiosa Caridade.

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Quantas virtudes sólidas e obras de zelo fecundas se poderiam edificar sobre este fundamento… e que exemplo seria para todos os cristãos!

Que devoção tão bela ao Sagrado Coração e quão prática!… pois o Amor Misericordioso é o distintivo que devem levar todos seus amigos… aqueles que querem ser verdadeiramente seus… e trabalhar por Ele… por seu reinado. Quantos há que não pensam nisto! (Extraído de “Centelhas”).

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Para formar parte da Legião, basta determinar sua vontade e portar-se verdadeiramente como está indicado no seguinte Pacto:

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É desnecessário dizer que este compromisso não é voto, senão um firme e bom propósito que se pode renovar cada sexta-feira na Sagrada Comunhão, se se tem a felicidade de a fazer, se não, em outro momento do dia.

Se poderá tomar como matéria do exame particular um dos pontos do Pacto, aquele em que mais necessidade tivemos de caminhar alerta.

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A Associação não tem outro Centro que o Coração de Jesus.

O Registro onde estão inscritos os nomes, é o próprio Sagrado Coração.

O Diretor, é o Espírito Santo, que com a cooperação da Santíssima Virgem, transformará as almas pouco a pouco para fazê-las viver a Caridade Evangélica (Amor e Misericórdia) que é a própria vida do Coração de Jesus.

As práticas preferidas pelos “Amigos do Coração de Jesus” serão: a assistência a Santa Missa (todas as manhãs se lhes for possível) em união com Maria aos pés da Cruz, assim como a visita durante o dia a Jesus vivo no Tabernáculo.

Também se recomenda a união às Missas que atualmente se celebram no mundo inteiro, para qual poderão se servir da formula que está no final.

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PACTO DE AMOR

dos Verdadeiros Amigos de Jesus

Vós sois meus amigos se fizerdes o que vos mando (S. João XV, 14).

Meu Mandamento é que vos ameis uns aos os outros (S. João, XV, 12).

Ó Jesus, que me amastes até a Encarnação, até a Cruz, até a Eucaristia! Para observar tão fielmente como seja possível vosso Mandamento de Amor, para levar em mim o sinal pelo qual se reconhecem vossos discípulos e formar parte dos Amigos de vosso Coração, quero me aplicar de um modo particular a pratica da caridade. Com este fim, quero CRER EM VOSSO AMOR por MIM e RESPONDER A ELE, com meu amor, amor de confiança, amor de gratidão, de conformidade, de intimidade; e para fazer efetivo e prático esse amor, quero amar ao próximo como Vós me amastes, isto é, com um amor misericordioso, que se traduza pela indulgencia, a compreensão, a paciência, a delicadeza, a bondade, a afabilidade, etc., buscando sempre o meio de agradar seu coração, pois é agradar o Vosso, e evitando tudo o que pudesse feri-lo e oprimi-lo, pois isso seria o fazer com Vós mesmo, meu Jesus!

Me esforçarei, pois, com vossa graça e sob a proteção da Santíssima Virgem e dos Santos que mais vos amaram, em não me deter nunca voluntariamente:

– Em nenhum pensamento contrário a confiança em Vós.

– Em nenhum pensamento ou juízo desfavorável ao amado próximo.

– Em nenhum sentimento de rancor ou vingança, não guardando frieza para com ele e tratando de responder sempre com um favor uma afronta recebida.

Evitarei toda palavra ou procedimento contrário a caridade, isto é, prejudicial ao próximo, seja que tenda a rebaixá-lo, a provocar a desunião com ele, ou a descobrir sem absoluta necessidade o mal ou imperfeição que acreditasse notar nele.

Me absterei de toda palavra ou procedimento que fira ou possa oprimir o coração do próximo.

Jamais recusarei um favor que me seja possível fazer sem prejuízo do dever. Depois de cada falta, buscar fazer prontamente reparação, pela tríplice formação de amor que Vós mesmo, ó Jesus, pedistes a vosso Apóstolo São Pedro.

Ademais, para realizar segundo minha pequenez os desejos de vosso Coração, quero contribuir com todo meu poder ao advento de vosso reinado de caridade em toda a terra.

Maria, minha boa Mãe, apresentai, vos suplico, ao vosso Divino Filho esse compromisso que acabo de fazer, para que Ele mesmo se digne escrever meu nome no Livro Sagrado de seu Divino Coração e que dali não se apague jamais. – Amém.


Nota.- Depois de uma falta de fé no amor de Jesus: contrição, propósito firme, abismar a falta no Amor Misericordioso, oferenda de Nosso Senhor e dizer do íntimo do coração:

Meu Jesus, vos amo e creio em vosso amor para comigo”. (Três vezes).

Depois de uma falta de confiança, contrição, etc, (como foi dito): “Meu Jesus, vos amo e em Vós confio” (Três vezes).

Depois de uma falta à caridade; contrição, etc.: “Meu Jesus, vos amo, e para vos provar meu amor, amo a meu próximo N.N. como Vós me amastes”. (Três vezes),

Se houve falta exterior, aproveitar uma ocasião para fazer um ato contrário, e usar de atenções delicadas se o coração do amado próximo foi contristado por nossa maneira de agir.

Para dar a esta restituição, comunhão de méritos será bom fazer essa tríplice afirmação de amor em nome de todos aqueles que formam parte da Legião – e de todas as criaturas – ao menos uma vez ao dia  – e logo a oferenda ao Pai Eterno pelas mãos de Maria.

OFERENDA

Pai Santo, pelo Coração Imaculado de Maria, eu Vos ofereço Jesus, vosso Filho muito amado, e me ofereço a mim mesmo n´Ele, com Ele e por Ele, por todas as suas intenções e em nome de todas as criaturas”.

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União às Missas que atualmente se celebram no mundo inteiro:

Ó Jesus, Sacerdote-Hóstia, por Maria, eu me ofereço a Vós…

Tenho fome de Vós… Me uno a Vós… Fazei-nos um conVosco.

P. M. SULAMITIS.