Propósitos para o Ano Novo

Venerável Madre Madalena de Jesus Sacramentado, CP

Da Carta de 01 de janeiro de 1923, da Venerável Madre Madalena, “Apóstolo do Amor” ao Servo de Deus Padre Arintero, seu diretor espiritual.


“Agora vou manifestar-lhe meus propósitos para este ano novo: Amor é o que me pede Jesus. Me pede no fim e no princípio do ano; no fim e no princípio do dia, e posso dizer que no fim e no princípio de cada e de cada minuto. Às vezes, tenho que estar dizendo: “Ó, Jesus te amo, Jesus, minha vida, meu amor, luz dos meus olhos, meu repouso e meu tudo…!

Acontece comigo, às vezes, que estou escrevendo ou pintado, e sinto como segurar-me a mão; mas de um modo que não se explicar. É com uma suavidade e doçura infinita. Então, para poder continuar trabalhando, tenho que que repetir frequentemente: “Jesus, te amo; Jesus te amo!” até que, como mendigo esfomeado que recebe um pedacinho de pão, fica contente e parece descansar no meu pobre amor. Ó, que fome tem de ser amado por nós suas pobres criaturas!

Faz algumas semanas que estando repetindo: “Meu Deus, vos amo, quero que minha vida seja um contínuo ato de amor”, o Senhor me disse: “Não só um ato de amor, senão um ato de amor perfeito”. Me fez entender que no amor há graus, e estes são muitos antes de chegar ao perfeito, que a esse último devo aspirar; que meu amor é ainda pequeno e fraco, pois tem que estar apoiado nos consolos divinos, enquanto que o amor perfeito permanece sozinho, pois perde todo o sensível e se mantém de pé sustentado pela fé desnuda. Para chegar a isso, conheço que o espírito tem que se desprender de muitas coisas, se despojar de tudo, e ficar sozinho com a solidão de Deus... Quando tenha perdido tudo e ficado no nada, nesse nada encontrarei a meu Deus e o amarei com amor perfeito, porque meu espírito terá se tornado mais semelhante ao que é o puro espírito. Ao resplendecer destas luzes, reconheci quão imperfeito ainda é meu amor, e sinto muitos desejos de, custe o que custar, chegar a esse grau a que o Senhor me convida. Deus o quer, eu o quero também com sua graça, passarei por cima de tudo dizendo: ou morrer ou ir adiante.

Por isso, meus propósitos neste ano serão: estar firme no bem empreendido e não deixar nunca nada por fazer, ainda que me sinta insensível e fria. Se não sentir a divina presença, não deixarei por isso de crer que Deus me vê e me ama, nem de fazer atos de amor e de praticar a virtude. Quanto menos sinta a Deus, mais o buscarei com humildade e confiança. E como quando não se tem consolo sensível é mais fácil cometer imperfeições e fazer coisas de má vontade, com desatenção e com pressa, procurarei prescindir sempre do que sinto, e agir com calma, atenção, reflexão e paz, particularmente nas coisas de devoção e práticas de observância.

Deste modo, agradarei a Jesus, porque Ele é que com suas benditas mãos prepara o purgante para sua pobre enferma; e vendo que ela o aceita com o mesmo amor, confiança e gratidão com que recebia os manjares doces, ficará muito contente e não me dará mais que o puramente necessário. Neste estado de calma, ademais de se purificar, se alcança a verdadeira confiança, sem deixar de crer no amor de Jesus quando não o sente.

Nestes dias, Jesus me fez praticar atos de confiança n´Ele, e entender mais claramente quanto agrada a Aquele que é Amor, que nunca se duvide de seu amor. Deus ama suas criaturas porque é bom e não porque elas são boas; e como este motivo existe sempre, porque Deus não pode deixar de ser o que é, sempre serei amada por Ele, enquanto o busque seu amor.”


Cf. ‘Hacia las cumbres de la unión con Dios’. Correspondencia entre al P. Arintero y J. Pastor, pg. 79-80.