Beata Teresa Casini  

(1864 – 1937)

fundadora das Oblatas do Sagrado Coração

Teresa nasceu em Frascati, uma encantadora cidade dos castelos romanos, em 27 de outubro de 1864. Ela é a filha mais velha do engenheiro Tommaso Casini e Melania Rayner, uma cidadã belga. Ela viveu a sua infância serena com sua irmã Adele e seu irmão Alessandro, por quem ela nutria um amor especial. Seu amado pai, um homem de fé sincera e profunda, ensinou-a a amar a Deus de todo o coração.

Quando Teresa tinha apenas nove anos, ele morreu. A família então se mudou para Grottaferrata onde viviam seus avós maternos. A mãe, uma mulher jovem, bonita, rica e que gostava de se divertir, arrasta-a para uma vida mundana sem descanso.

Teresa Casini, com 18 anos

Aos dezoito anos, Teresa sente um grande vazio em seu coração e tenta dar sentido à sua jovem vida. Convencida de que só Deus pode preencher esse vazio, ela passa muitas horas do seu dia fazendo companhia amorosa a Jesus no Santíssimo Sacramento.

Um dia, enquanto rezava na igreja da abadia de Santa Maria, em Grottaferrata, o Senhor mostrou-lhe o seu Coração trespassado por um espinho e revelou-lhe a sua dor: << O Sacerdote faz parte das minhas vísceras, é pupila dos meus olhos; o caráter sacerdotal está acima de qualquer dignidade. Chamei essas almas ao meu serviço, dando-lhes uma vocação sublime, eu as circundei com luzes e graças do Espírito Santo e as coloquei no meio da sociedade, de modo que, ao lidar constantemente com ela, fossem como tantos canais através dos quais as almas passassem para vir ao meu Coração. Mas acrescentou com uma expressão de dor – nem todos correspondem à sua vocação e, com sua infidelidade e ingratidão, trespassam meu Coração, enfiando um espinho nele. Ele então me pediu para reparar e consolar-Lhe na sua dor>>. Daquele momento em diante, ela não tem mais paz. Seu único desejo será consolar Jesus e procurar todas as maneiras de fazê-lo.

Após cuidadosa reflexão e com a ajuda e conselho de seu diretor espiritual, o padre Arsênio Pellegrini, abade dos monges basilianos, decidiu dedicar-se inteiramente ao Senhor, entrando no mosteiro das “Sepultadas vivas” em Roma, no dia  1º de fevereiro de 1885.

Neste lugar, imediatamente depois de entrar, ela ouviu em seu coração uma voz que disse: “Aqui você entra para aprender a não para ficar“. Ela vive sua vida de clausura, tentando apenas agradar ao Senhor.

Um dia – ela relata- estando junto a Jesus no Santíssimo Sacramento e relacionando-me com Ele familiarmente, eu entendi que Jesus me pediu doze vítimas, para que fossem oferecidas com Ele à justiça de seu Divino Pai” em reparação das ofensas recebidas da parte de Seus Sacerdotes, “e pediu que esta oferta cada uma fizesse com seu próprio sangue “.

No dia 12 de junho do mesmo ano, no dia da festa do Sagrado Coração, juntamente com padre Arsenio Pellegrini, três monges basilianos, um sacerdote diocesano, duas religiosas e quatro leigas, Teresa fez a sua oferta de vítima. Depois de alguns meses, no entanto, ela adoeceu e foi forçada a voltar para a família, onde a oposição da mãe à sua escolha de consagração se tornou cada vez mais insistente. Ela não se deixou intimidar e procurou realizar seu sonho.

Enquanto isso, sua família se estabeleceu em Frascati e ela ia rezar na igreja de São Roque. “Nesta igreja, percebi que poderia realizar o desejo expresso pelo Senhor com respeito aos sacerdotes, reunindo um pequeno número de almas em torno a Jesus no Santíssimo Sacramento, com o propósito de oferecer-se junto com Ele, vítima eucarística, em sacrifício de expiação pelos sacerdotes que com suas faltas, ofendem a justiça de Seu Divino Pai “.

Ela diz tudo ao seu diretor espiritual. Padre Arsênio, um homem inteligente mas autoritario, ordena que ela entre em um instituto nascente intitulado: “As verdadeiras amantes do Coração de Jesus”. A fundadora, uma mulher com um instável equilíbrio mental, logo adoece e morre e o instituto acaba em nada.

Teresa, em seguida, se retirou para Grottaferrata, onde ela passava muitas horas de seus dias em oração na Abadia de Santa Maria. Ela alugou um pequeno apartamento onde começou a receber algumas meninas que queriam conhecer o Senhor.

Enquanto isso, ela está tentando construir uma pequena casa, na qual em 17 de outubro de 1892, na maior pobreza, com duas delas começa a vida comum e em 2 de fevereiro de 1894 nasceu o Instituto das Vítimas do Sagrado Coração de Jesus, renomeado depois como Instituto das Irmãs Oblatas do Sagrado Coração de Jesus.

A vida do pequeno mosteiro, de estreita clausura, desenvolve-se entre a oração e o trabalho. O fervor é tanto, mas as dificuldades econômicas são muitas e devido à insuficiência de bens  de primeira necessidade as Irmãs facilmente adoecem de tuberculose e muitas morrem. Os pais de jovens que gostariam de se tornar religiosas, por medo de que suas filhas possam perder sua saúde,  negam-lhes a  permissão para entrar na Vida Religiosa. Estes são anos muito difíceis, mas Teresa não desanima: ela sabe que esta Obra foi solicitada pelo próprio Senhor e Ele não deixará faltar-lhe a sua ajuda.

Ela vive seu tempo em um exercício de fé pura e na confiança serena que o Senhor teria preparado o caminho para esta pequena família religiosa, que nada mais desejava senão consolar o Coração Trespassado de Jesus.

Os Superiores Eclesiásticos em um certo momento recomendam Teresa de abrir a clausura. Em seguida, ela dedica-se ao cuidado das meninas do povo, em cujo coração tenta inculcar uma alta estima pelo sacerdócio ministerial e prepara-as para se tornarem boas mães de família, que saberão identificar a semente da vocação em seus filhos e orar para que tal vocação chegue à maturidade.

Beata Teresa Casini com os Pequenos Amigos de Jesus

Em 1925, para promover e cultivar as vocações sacerdotais, Teresa mudou-se para Roma, onde, sempre em pleno acordo com as autoridades eclesiásticas, deu inicio à Obra dos Pequenos Amigos de Jesus, internatos nos quais reina um espírito de família e, em modo particular, a formação dos corações dos meninos. Esta Obra dará à Igreja numerosos Sacerdotes e alguns Bispos. Mais tarde, ela se esforça com cuidado delicado em todas aquelas formas de atividade que seu coração materno inspira em favor dos Sacerdotes.

Enquanto isso, sua saúde, sempre muito delicada, piora sempre mais. Uma leve paralisia e artrite deformante progressiva forçam-na a ficar numa cadeira de rodas, mas seu coração está cada vez mais queimando de amor pela Eucaristia, tanto que quando é forçada a ficar na cama, olhando através de uma janela de seu quarto, que se comunica com a capela, fará companhia ao seu Senhor noite e dia.

Na madrugada de 3 de abril de 1937, depois de uma vida dedicada a consolar o Coração de Jesus, Teresa vai ao encontro de seu Senhor, dizendo: “Eu estou serena, sinto Deus perto de mim“.

Em 31 de outubro de 2015, Maria Teresa Casini, é declarada bem-aventurada em sua cidade natal, Frascati, pelo cardeal Angelo Amato, delegado do Papa Francisco.


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