O Bom Pastor do Sacrário

Serva de Deus Madre Maria dos Anjos Sorazu, OIC

“Depois, no ano de 1900, quando começou Jesus a me chamar desde o fundo do Sacrário, em conceito de Bom Pastor, com amorosos chamados, entrou minha alma em nova fase de vida, me estabeleci no Sacrário, e comecei a viver da vida de Jesus Sacramentado, ou não sei como se diz, em conceito de fiel e amante ovelhinha.

E Jesus, com misericordiosa benevolência, começou por sua vez a deixar-se possuir por mim com a evidência e perfeição que lhe possuía antes na contemplação nos mistérios de sua vida mortal.

Dizia-me que o Sacrário era o aprisco, ele meu Pastor, mas Pastor divinamente apaixonado e ciumento de seu rebanho, e eu sua ovelhinha privilegiada e singularmente amada de seu divino Coração.

Desde então, minhas relações com Jesus Sacramentado se estreitaram, e foram tão íntimas e contínuas que nem de dia nem de noite podia me separar de seu lado, exceto o tempo preciso do sono, e no que empregava no cumprimento de meus deveres comuns ou particulares, pelos quais era necessário abandonar o Santuário.

Em Jesus Sacramentado, possuía todos os bens, e para minha felicidade, que consiste em possuir Jesus, não necessitava sair do coro, como antes que outra esposa o buscava pelas ruas e praças [cfr. Ct 3,2], ou seja, pelos claustro e jardins.

Seis meses aproximadamente passei minha vida aos pés de Jesus, em conceito de ovelhinha no místico redil do Sacrário, cantando minha dita, e abrasada em seus amores”.

(SORAZU, M. A., Autobiografía Espiritual, n.269-270)