“Se Maria está comigo, quem poderá estar contra mim?”

Das Cartas de São Gabriel da Virgem Dolorosa (1838 –1862), Religioso Passionista


Temos a alegria de apresentar este belíssimo texto, extraído de uma Carta de São Gabriel ao seu Pai , de 27 de dezembro de 1860, onde pode se ver toda rica vida mariana de São Gabriel. Rezemos e esperamos que em breve tenhamos todos seus escritos, ainda que sejam poucos, traduzidos e publicados no Brasil. É impossível não se comover ao lê-los!


“Ó, caro pai, não vos importais tanto em saber notícias minhas porque tenho uma Mãe que, embora eu seja indigníssimo, igualmente me ama e cuida de mim.

Ó, meu papai, se confiássemos um pouco mais nesta nossa terna Mãe, que nas páginas sagradas nos declara amar quem a ama: Eu amo quem me ama. E nos vai dizendo com Isaías: “Acaso uma mãe se esquece de sua criança, a ponto de não se comover pelo filho de seu seio? Ainda que existisse uma mulher que se esquecesse, eu ao invés não te esquecerei nunca” (Is 49,15). Ah, nós Lhe custamos demasiado, e sabeis bem que Ela entre espasmos e dores nos deu a luz sobre o Calvário, e chegou a escolher que seu caro Filho morresse ensanguentando, pregado com três pregos na cruz como um animal no matadouro; ao invés de ver eternamente condenadas as nossas almas.

Ó, se nisso pensássemos nós algumas vezes, amaríamos talvez um pouco mais essa querida terna Mãe nossa, e confiaríamos um pouco mais n´Ela, e não temeríamos tanto o inferno, que ao invés quando nos viesse tentar com seus espantos e ameaças, nos riríamos mais do que um pouco dele, repetindo: “Se Maria está comigo, quem poderá estar contra mim?” Não Deus, porque ela como Filha dileta o aplaca; não Cristo Juiz porque ela como Mãe o inclina a nos perdoar; não os pecados, porque esses diante da sua misericórdia são quase nada; não todo o inferno, porque “satanás foge e o inferno treme quando digo a Ave Maria”; não finalmente os próprios homens porque ela é chamada pelo Espírito Santo forte como um exército posto em ordem de batalha.

Ó, quanto seria mais tranquilo nosso sono, mais alegres nossos dias, em suma um paraíso o nosso viver se nos abandonássemos completamente nas suas mãos, e lhe disséssemos frequentemente: “Em tuas mãos, Senhora, confio minha causa. Entendei-o bem vós que leis que dela se diz: “Todos os bens vêm a mim junto com ela”. Se tivermos Maria conosco, teremos tudo, se ela nos faltar, nos faltará tudo. Se nos proteger Maria estaremos salvos, se Ela nos abandonar seremos condenados; não sou eu quem digo, são os santos que o dizem.  

Vos importa não arder eternamente num fogo que durará sempre, sempre, sempre? Amemos Maria, mas não já como está de moda só com uma devoçãozinha, para depois crucificar o seu Filho esperando que depois Maria virá tirar de cima de nós o peso do inferno; ó, quantas dessas almas se encontraram enganadas! Mas a amemos ao invés com coração verdadeiro, saibamos fazer algum sacrifício mesmo grande para não repugnar o seu coração.

Sejamos fiéis a Ela, e estejamos seguros de nossa salvação eterna, porque Ela como diz Santo Afonso (e notai-o bem), nos ama muito, de modo que, se se unisse o amor que todas as mães tem aos filhos, todos os esposos às esposas, e todos os santos e anjos aos seus devotos, não chegariam ao amor que Maria tem por uma só alma. É um grande santo que fala, pensai bem, e depois, negai, se podeis, a essa amável adorável Virgem o vosso amor e vosso coração”


(cf. Gabriele dell´Addolorata. Lettere confidenziali con altri scritti e preghiere. San Gabriele Edizione. pg.113-115)