HORA SANTA REPARADORA

Irmã Juanita Méndez (1937-1990)

Preparação – Em adoração profunda, nos coloquemos na presença de Deus. Peçamos luz e fogo de amor ao Espírito Santo para que consuma nosso coração e o purifique de todo pecado ou afeto desordenado, à Santíssima Virgem para que seja nossa Mãe e Mestra, ensinando-nos a amar o seu Jesus, com seu próprio amor.

Que a graça divina venha às nossas pobres almas para poder glorificá-lo nesta Hora Santa que vos oferecemos com intenção de reparar, desagravar e fazer companhia pelos abandonos, ultrajes e ingratidões recebidas por todas as criaturas da terra.

Depois desta breve preparação, vamos, em espírito, ao Horto do Getsemani; entremos em silêncio, almas reparadoras, com nosso coração tomado pelo temor e desejo de reparação, vamos captando a voz angustiada e dolorida de Jesus que se debate na mais espantosa das agonias. Solidão imensa, abandono mesmo do Pai Celestial. Sua Humanidade abatida no solo. Será possível que um Deus tenha chegado a isto? E por todos os pecados da humanidade, pelos nossos em particular.

Contemplemos como sua dor chega à máxima intensidade, mais que pela proximidade de sua Paixão, por tantas ingratidões e faltas de correspondência. Pensa que sua Paixão será infrutuosa para muitas almas; a aguda dor lhe estremece. Suas dores se tornam agonia torturante; corre para junto de seus discípulos prediletos e os encontra adormecidos. Seus melhores, seus mais íntimos amigos não podem vigiar uma hora com o Mestre!… Chama seu Pai, pedindo que passe dele o cálice e somente encontra solidão e abandono. Acaso também os Céus se fecharam? Mas não, um Anjo desce para lhe confortar em seu desfalecimento. Copioso suor de sangue o envolve em tanta abundância, que se verte sobre a terra. Meu Pai! Se é possível passa de mim este cálice, mas que não se faça a minha vontade mas a tua.

Que lição mais sublime Jesus nos ensina no Getsemani para que façamos nossa oração de cada dia com este espírito! Sim, peçamos na dor e no sofrimento que se aparte de nós o cálice, mas ao mesmo tempo saibamos dizer e aceitar com generosidade que se cumpra a vontade divina.

Sigamos recolhendo no íntimo de nossas almas as palavras de Jesus que agoniza naquela terrível noite.  


“Escutai-me, almas reparadoras; sou Eu, vosso Jesus, mas destroçado, agonizando em cruel tormento, abandonado por todos, faminto com fome da glória do meu Pai; sedento com sede de todas as almas, destroçado em todo meu corpo e no mais espantoso de todos os suplícios. Não vos leva à compaixão o estado em que me encontro?… Não quereis me abrir as portas de vosso coração, para que ao menos nele encontre repouso e consolo? … Se pudésseis compreender meu grande amor por todas as almas!  E, como as busca minha misericórdia, não duvidaria nem um instante em me dar tudo, e não somente isso, mas vosso viver seria uma fiel reprodução da minha vida, minhas dores seriam vossas, sentindo na própria carne as ingratidões e pecados que fazem a Mim.

Desejo, necessito almas reparadoras através de todos os séculos, e em todos os cantos da terra; são os pára-raios da justiça divina; as orações e as lágrimas dessas almas são de um poder infinito diante do Pai, pois unidas às minhas intenções.

Não temais, pequeno rebanho, para vos fazer semelhantes a mim, haveis de abraçar a Cruz da dor, da perseguição, da calúnia, da pobreza. Minha graça não vos faltará. Sem Mim nada podeis fazer: “Comigo podeis tudo”, mas gosto das almas desprendidas.

Institui a Eucaristia; sofri a agonia do Getsemani; a traição de Judas; a negação de Pedro; o iníquo processo; vi-me preterido por Barrabás; a flagelação e coroação de espinhos, as burlas e escárnios; a Rua da Amargura; a dor de minha Mãe, esse Coração puríssimo transpassado e amargurado com todas as amarguras da terra.

A Crucificação; minha morte vergonhosa, e por último a lança do soldado Longino abrindo meu Lado para deixar passar as torrentes de minhas graças, de minhas misericórdias, do meu amor.

O amor imenso de um Deus decretou minha Encarnação, e com espanto do Céu e da terra quis me abaixar e tomar a natureza humana no seio puríssimo de uma Virgem; nasci num pobre estábulo, vindo buscar os homens de boa vontade que sempre me encontrariam; revestindo-me de sua carne, de seu coração, de seus sentimentos. Estive sujeito ao frio, às privações e trabalhos. Apesar de ser Deus, obedeci aos meus pais e lhes estive submisso até minha morte. Adivinhais porque fiz isso? Por amor, meu grande amor às almas.

Poderia consumar a Redenção sem derramar nem uma gota do meu sangue, tão somente meu poder bastava para salvar todas as almas. Mas necessitava vos fazer compreender como Deus ama suas criaturas e até que ponto esse amor me levou.

Desde o momento em que foi consumado o Sacrifício do Calvário ficou a humanidade redimida com Meu próprio Sangue; aos pés da Cruz em minha Mãe foi consumado e rubricado. Ela me arranca todas as graças e favores, é a medianeira de todas as graças, intercessora e todos aqueles que em suas necessidades recorrerem a ela com fé e confiança, alcançarão tudo que pedem por difícil e impossível que pareça.

Nas sombras da noite sucedem os mais horrendos crimes; pecados de apostasia, o desenfrear de todas as paixões; o poder das trevas, como um dia no Getsemani, volta na hora atual com mais intensidade e virulência que nunca. As pessoas querem se divertir, não poupam meios para o fazer, saltando por cima das leis morais e divinas…

Pobre humanidade corrompida e inundada por todos os pecados capitais!…

E que posso dizer de tantos sacrilégios, profanações, e o que é mais terrível, apostasias dos meus, daqueles a quem ungi com as ordens sacras através de Pedro? Acaso tudo isso não é o bastante para renovar continuamente a agonia do Getsemani, o Pretório, a flagelação ou me pregar na Cruz rasgando meus membros e abrindo de novo minhas chagas? …

Eis meu grito dilacerante; pus minhas delícias em estar com os filhos dos homens e me deixam sozinho, no mais cruel dos abandonos; negam minha presença no Sacrário, perdem a fé porque deixaram de orar, não tem tempo para oração, para falar comigo, para escutar minha voz nem recolher minhas queixas. Os homens não se entendem entre si com tanto ruído que fazem, ruído ensurdecedor de caminhões, músicas, salões de festa, técnica e ciência moderna, muito programar, muitas falsas ideologias. Sempre a soberba, a causa de todas as ruínas da humanidade em todos os tempos!…

Almas reparadoras, vossa missão na terra é amar, me amar com todas as vossas forças, sem descanso, e amar todos os homens por Mim, essa é a vossa missão, vosso fim.

Contemplo-vos aqui, muito próximas de meu Coração e do de minha Mãe Bendita; no silêncio da noite, unidos uns aos outros para me trazerem o consolo de vosso amor, reparação, penitência, generosidade para saciar minha sede imensa que me consome de ser conhecido e amado por todos.

Sim, tenho sede de amor e sacrifício, de amor oculto em meio à humanidade e o silêncio das pequenas coisas de cada dia aceitas com amor e espírito de fé; de amor puro e limpo que se dá por inteiro, morrendo aos prazeres dos sentidos para viver do espírito. Assim apagareis a sede de um Deus que deixou os Céus para ir à busca dos pecadores.

O amor implica dor e sacrifício, não tenhais temor, minha graça não vos faltará, com ela conseguireis tudo. Pedi-me muito, não vacileis em me pedir, para as almas confiantes e generosas há abundantes graças, minhas mãos sempre estão cheias delas para deixá-las cair. Rogai muito pelos pecadores, por meus Sacerdotes, almas consagradas, por este caos e confusão, por esta onda de materialismo e soberba que invade tudo.

Basta de pecados! A justiça Divina está cheia, mas apesar de tudo, meu amor segue chamando, vos convidando incessantemente, seja com guerra sangrentas, com terremotos, fome, epidemias… Meu Coração arde em misericórdia mais que em justiça, mas a iniqüidade dos homens é tão grande que desprezam minha Misericórdia e riem-se do meu Céu. Ai daqueles que não querem ouvir minha voz e cumprir meus mandamentos!

Orai, orai e perseverai nela, unidos às minhas intenções e a dos Santos e justos da terra, pelas mãos de minha Mãe, para fazer violência junto ao Pai.

Antes de nos separarmos, vos rogo que façais um propósito. Cada quinta-feira à noite, buscai companhia no Getsemani, estai por um momento, no lugar que vos encontrais, em espírito e oração. Por último, propagai a devoção da Hora Santa Reparadora para que cresça e se estenda cada vez mais”. 


Num íntimo colóquio com a Mãe de Deus e nossa, terminemos essa Hora Santa escondendo no santuário de nosso coração as queixas e frases de Jesus até fazê-las substância própria…

_________

A Irmã Juanita distribuiu essa Hora Santa entre várias irmãs, escrita de seu punho e letra, e a terminava com estas palavras:

 

Se sua leitura te serviu para fazer ainda que seja

um só um ato de amor e reparação ao Coração de Jesus, me dou por satisfeita…

11-2-88 Virgem de Lourdes. A.M.D.G


Serva de Deus Irmã Juanita Méndez (1937-1990) religiosa espanhola, da Congregação das Obreiras do Coração de Jesus.

Aos treze anos, após contrair Tifo, ficou prostrada numa cama por 40 anos. Viveu sua consagração e seu oferecimento ao Coração de Jesus, desde seu leito do sofrimento, sempre sorridente. No dia 06 de maio de 2014, seu processo de beatificação foi aberto.