O Coração Eucarístico de Jesus 

e  Sophie Prouvier (1817-1891) 

Chaves de leitura de seu caminho interior e sua missão

“Durante minha última estadia em Besançon, em 22 de janeiro de 1854, um domingo, o Santíssimo Sacramento estava exposto, eu me senti vivamente impulsionada a ir adorá-Lo.

Esse impulso era tão forte que não pude terminar o que fazia e tive que ir. Eu me coloquei primeiramente no Coro ao lado do altar, mas não tive repouso até que me ajoelhei em frente ao Sacrário.

Ali, foi tomada por um profundo recolhimento. Continuo constrangida em dizer o que se passou então, porque eu não o compreendo.

Não que eu tenha perdido a consciência; não, eu entendia o que acontecia ao meu redor; e apesar disso, estava mergulhada na contemplação de Nosso Senhor que via no fundo do Sacrário mostrar-me Seu Coração Eucarístico desolado de dor diante do pouco amor verdadeiro que lhe trazem as almas favorecidas por seus dons e admitidas à comunhão frequente.

Elas me cercam e não me consolam…”

Este divino Coração se derramava em lamento com uma expressão de bondade e de profunda dor, ou seja, algo de inefavelmente doce numa infinita desolação:

“Meu Coração pede amor como um pobre pede pão… Ó, esposa! Teu coração é fiel ao meu como o meu é ao teu?…”

Não era uma forma precisa e, no entanto, era Nosso Senhor me mostrando seu Coração; minha alma guarda a impressão de seu ar triste e doce. Ele estava no Sacrário, e o Sacrário era pequeno, era escuro, e Nosso Senhor não estava reduzido às suas proporções; estava iluminada e não o pude pintar. Muitas vezes eu quis fazer uma imagem do Coração Eucarístico e não pude encontrar uma que mostrava a verdade.

Tudo pode exprimi-li, nada pode mostrá-lo. A única palavra que se formulou nitidamente, mas sem o som de voz, foi: “Meu Coração Eucarístico”.

No dia seguinte, quando voltei à oração, não encontrei mais a unção que tinha me acompanhado desde ontem. Algo no Sacrário parecia me dizer: “Vinde”.

Tive que sair de mim, ir até Ele, e ali, ficar imóvel, atenta, sem outro trabalho senão aquele de rejeitar os obstáculos a este silêncio e esta contemplação muda e incolor em que não encontrava nada, senão a Substância infinita. Me parece entender que essa devia ser doravante minha oração. Depois deste momento, o Coração Eucarístico trabalhou minha vida.”

“Em 1º de setembro de 1854 – ela diz – uma noite que, preocupada com todo este futuro que me ameaçava, não dormia, fui tomada pela mesma impressão de 22 de janeiro. Desta vez, não fui honrada com a presença sensível de Nosso Senhor, que não se renovará nunca mais, mas fui subitamente atingida por estas palavras interiores:

“Tudo irá bem pela proteção do Coração Eucarístico de Jesus, se tu queres entregar-te a Ele, e entregar-Lhe tuas obras. Espalhe esta devoção”.

Eu me levantei, rezei, pedi a Deus como poderia fazer conhecida esta devoção e ser-lhe fiel.

É Meu Coração Eucarístico, me foi repetido, fazei-o conhecer, fazei-o amar.”


 Elevações ao Coração Eucarístico de Jesus

“Coração Eucarístico de Jesus, doce companheiro de nosso exílio, eu vos adoro.

Coração Eucarístico de Jesus,

Coração solitário, Coração humilhado, Coração abandonado,

Coração esquecido, Coração desprezado, Coração ultrajado,

Coração desconhecido dos homens,

Coração amando nossos corações,

Coração suplicante que O amem,

Coração paciente em nos esperar,

Coração pressuroso em nos escutar,

Coração desejoso que a Ele rezemos,

Coração, foco de novas graças,

Coração silencioso querendo falar às almas,

Coração, doce refúgio da vida oculta,

Coração, mestre dos segredos da união divina,

Coração d´Aquele que dorme, mas que sempre vela,

Coração Eucarístico de Jesus, tende compaixão de nós.

Jesus-hóstia, eu quero vos consolar,

A vós me uno; me imolo convosco;

me humilho em vossa presença;

Quero me esquecer para me lembrar de vós;

Ser esquecido e desprezado, por Vosso amor.

Não ser compreendido, não ser amado senão por Vós.

Me calarei para vos ouvir e sairei de mim para me perder em Vós.

Fazei que assim alivie vossa sede de minha salvação, vossa sede ardente de minha santidade,  e que purificado vos dê um puro e verdadeiro amor.

Não quero mais vos cansar em vossa espera: tomai-me, eu me dou a Vós.

Eu vos dou todo meu agir, meu espírito para que o ilumineis, meu coração para que o dirijais, minha vontade para que a fixeis, minha miséria para que a socorrais, minha alma e meu corpo para que o alimentais.

Coração Eucarístico do meu doce Jesus, cujo sangue é a vida de minha alma, que eu não viva mais, mas que só Vós vivais em mim. Amém.”


Especiais agradecimento ao Padre JEAN-LOUIS BARRE SM, pelo maravilhoso texto.