Explicação dos mistérios

que representa a imagem da Santíssima Virgem

 no lindo título de  

MARIA SOBERANA MEDIANEIRA UNIVERSAL

Dos Escritos Marianos da

 Serva de Deus Madre Maria dos Anjos Sorazu, Monja Concepcionista.

 

Desenho realizado pela Madre Sorazu

AVE MARIA, SOBERANA UNIVERSAL, DEUS TE LOUVE

 E EM MEU NOME TE AME E TE DÊ GLÓRIA INFINITA

GLÓRIA, LOUVOR E HONRA

A RAINHA E MÃE DE NOSSOS CORAÇÕES! AMÉM.


Representa a Santíssima Virgem em sua augusta qualidade de Mãe de Deus inclinada para uma humilde religiosa que espera de sua clemência e eficaz mediação o soberano favor da comunhão dos mistérios de Cristo.

O diadema que cinge sua fronte representa o absoluto domínio da Senhora sobre a Criação. – As doze estrelas que completam a coroa simbolizam suas virtudes: doze perfeições divinas que participam singularmente nas relações que a uniam a Beatíssima Trindade. – Os santos nela colocados representam São João Batista e os Santos Apóstolos, que nos revelam a intervenção de Maria na santificação das almas desde o Precursor de Cristo e os Apóstolos até o simples fiel que conseguirá a salvação no fim dos tempos e a glória que resulta de sua missão de CO-REDENTORA E CO-SANTIFICADORA.

Nos Anjos que a circundam, estão representados os nove Coros, e em São Miguel e São Gabriel, São José e Santa Isabel, os membros da natureza angélica e humana, que se distinguem por sua adesão e amor à Rainha da Criação. Pregam todos sua excelência e soberania.

Os vinte e quatro Anciãos Apocalípticos representam os Patriarcas dos dois Testamentos. Os que estão sentados representam os Patriarcas do Antigo Testamento, esses ostentam uma âncora no braço direito e no esquerdo o olho da Providência. Sustentam ademais na mão uma vara florida: é a vara de Jessé de cuja raiz nascerá uma flor, segunda a profecia de Isaías, cap. XI, símbolo da Encarnação, comprida em Maria. Essa e a ancora significam, que sua vida religiosa se desenvolveu nos domínios da fé e da esperança na promessa salvífica do paraíso – “Colocarei inimizades entre ti e a mulher, etc” – relacionada com a Santíssima Virgem e seu Divino Filho. – O Olho da Providência nos revela o culto que tributaram a Divindade. O estarem sentados revela o repouso que lhes proporciona o cumprimento das promessas Messiânicas, que as leis, natural e escrita, perderam-se felizmente no Santo Evangelho, que tendo o cristianismo substituído sua prole, repousam tranquilos em Deus sem que perturbe seu descanso nenhuma reclamação da terra.

Os que estão de joelhos representam os Patriarcas da era cristã, ou seja, os Fundadores de Ordens Religiosas. Sua atitude suplicante nos demonstra o interesse e zelo que empregam no serviço de Deus e da Virgem em favor das Congregações que fundaram e continuam sua história. Ostentam, no braço direito, a Cruz e no esquerdo o M que significa que todos praticaram a Verdadeira Devoção e participaram do endeusamento [1] da Santíssima Virgem, sua vida de união com Jesus, fim último da vida mariana e seu feliz coroamento. Essa é a graça que pedem especialmente para seus filhos e filhas da terra. Os vinte e quatro ostentam no peito uma Cruz, símbolo do sofrimento resignado de sua história, cheia de vicissitudes e penosos trabalhos.

As sete lâmpadas representam os sete espíritos que estão diante do Trono de Deus e da Virgem.

As quatro rodas, os quatro Evangelistas.

A religiosa, a alma mariana que, tendo praticado a Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, deseja vivamente participar da divinização da Senhora, apoderar-se de Jesus Cristo, identificar-se com Ele, e pede essa graça repetindo com fervor crescente esta oração:

“Vinde, ó Jesus, que vives em Maria.

Vinde à tua humilde esposa e filha querida de tua Mãe.

Vinde, estabelece-te em meu coração, estende a mim a riqueza imensa de tua vida através de Maria.

Impõe à minha alma tua assombrosa e soberana realidade como impusestes à tua Mãe bendita, e aos teus Santos Apóstolos durante tua estadia na terra e impões as almas fiéis na seqüência dos séculos.

Vem, apodera-te de minha vida: absorve-me, vive em minha inteligência e em meu coração, sejas Tu minha Vida”.

O anjo da guarda, apontando para Jesus que se prepara para entregar-se a ela, diz: Pela Casa do Senhor Nosso Deus, pedi bens para ti.  Como se dissesse, pelo amor que professo à nossa Rainha, impulsionado pelo zelo que me abrasa por sua glória para buscar-lhe as complacências que de ti espera, pedi bens para ti, entre os quais ocupa em primeiro lugar a Verdadeira Devoção, a transformação em Cristo, que é seu fim último.

Aumentam o valor da oração do anjo, os quatro Anciãos Apocalípticos que representam os santos Patriarcas Domingos de Gusmão, Francisco de Assis, Inácio de Loyola, e Luís Maria Grignion de Monfort, que pedem que o quanto antes lhe seja concedida a comunhão dos divinos mistérios que espera sua protegida. Para o conseguir apresentam à Virgem, São Domingos, o Rosário; São Francisco, a Cruz; Santo Inácio, o livro dos Exercícios e o Beato Montfort[2], o Segredo de Maria, meios cuidadosamente utilizados por Ela para merecer a transformação em Cristo que demandam a seu favor.

A Santíssima Virgem outorga a súplica, rasga com sua mão esquerda a túnica e exibe a riqueza imensa da Vida de Cristo que entesoura, para estendê-lo à religiosa;  a atitude de sua mão direita significa a vigilância materna que a Senhora prodigaliza aseu divino Filho, pois está disposta a recolhê-lo novamente em seu seio, se a religiosa a quem se entrega não O tratar com a estima que merece e honrar com sua fidelidade as comunicações que lhe concede,  as que não consente caiam no vazio.

A atitude de São Joaquim e Santa Ana – protetores especiais das almas marianas – sustentando os extremos do manto, significa que a Senhora compartilha com eles seus desígnios da santificação dos homens e o sumo interesse com que esses procuram tirar os obstáculos que pudessem impedir Jesus no cumprimento de seus misericordiosíssimos desígnios.

O interior de Maria apresenta o aspecto de um templo: significa que a Senhora é a Casa e o Tabernáculo de Deus; revela-nos sua excelência e as relações divinas que estabelece a divina maternidade entre o Verbo Humanado e sua Mãe.

Jesus se manifesta à religiosa no seio da Virgem na plenitude de sua idade, com braços estendidos em atitude de entregar-se.

A plenitude da idade de Jesus, no seio de Maria, significa a perfeição da Senhora, sua perfeita conformidade com seu Filho Divino. Ele veste uma túnica talar, símbolo da natureza divina, com a inscrição Verbum DeiFilius Mariae, e por seu peito cruza uma faixa que simboliza a santa Humanidade que sustenta o Verbo, cinge e vela – em certo sentido – a natureza e perfeições divinas.

A primeira e terceira Pessoa da Trindade retiram a faixa, para que a religiosa conheça a infinita excelência do Verbo que a ela entrega as riquezas divinas que entesoura sua dupla natureza e o trate com infinita estima que merece; tão interessados estão na glória de Jesus Cristo!

Obrigado, Pai Santo, obrigado, Espírito Divino, e louvor perpetuo vos seja tributado por vosso zelo para glória de meu Deus humanado. Continuai vossa missão de revelar ao mundo a realeza divina de Jesus, para que seja amado e glorificado pelas almas e estimado como merece. Amém.

Contestando a súplica da religiosa, Jesus lhe diz: Ecce venio, sponsa mea. Ego sum merces tua magna nimis: Eis que venho, minha esposa. Eu sou recompensa soberanamente grande – inscrição da faixa.

A orquestra angélica se adianta a Jesus, e penetra na cela da anelante esposa. Em obséquio aos celestes músicos, que buscam lugar competente para produzir suas notas inefáveis, a humilde celinha se dilata misericordiosamente, tanto que nosso olhar se perde, e ninguém, exceto a agraciada que os viu entrar, pode contar o número dos que formam a angelical orquestra.

Como se quisessem completar o Ecce venio, que Jesus entoa, começam eles seus concertos, vibrando com a majestosa solenidade e a divina harmonia as palavras da Escritura que diz: Gaudete e laetare, filia Jerusalem, ecce Rex tui veniet tibi: “Rejubila e alegra-te, filha de Jerusalém: eis aqui teu Rei que vem a ti”. Enquanto uns cantam, outros arrancam harmonias inefáveis dos instrumentos que manejam, vários contemplam extáticos a beleza e soberania da Virgem e seu poder admirável, tão habilmente empregado em favor de seus devotos, e a infinita condescendência de Deus Humanado que se prodigaliza aos mesmos por meio de sua Mãe bendita. Seja para sempre bendito e louvado. Amem.

Deus te salve, Maria Soberana Universal, Deus te Salve e em meu nome te ame e te dê glória infinita [3].


Fonte: Opúsculos Marianos de R.M. Angeles Sorazu, revisados e anotados pelo P. Nazario Perez, S.J. Valladolind, 1928.


[1] N.T. Endiosamiento, na espiritualidade da Serva de Deus, se refere ao estado de transformação e união com Deus, por Cristo Jesus. Também é comum em seus escritos a expressão “enjesusamiento”, transformação e união com Jesus. O grifo é nosso.

[2] N.T. Madre Sorazu não teve a graça de ver nesta terra a canonização de seu grande “irmão” espiritual, São Luís Maria foi canonizado somente em 20 de julho de 1947 pelo Venerável Papa Pio XII.

[3] Há diversas opiniões entre os intérpretes do Apocalipse sobre quem são os 24 anciãos, que fala São João no Cap. IV. É muito comum os que pensam que doze deles são os Patriarcas do Antigo Testamento. E os outro doze são as Apóstolos, outros que são doze santos insignes do Novo Testamento; ainda que nenhum, que saibamos, diz que sejam precisamente fundadores de ordens religiosas. A mesma Madre Maria dos Anjos, nos comentários ao Apocalipse, diz que “estes 24 anciãos representam os Patriarcas, Profetas, Apóstolos, e Fundadores de ordens religiosas”.

Segundo o P. Alápide, muitos entendem pelas sete lâmpadas os sete dons do Espírito Santo; outros “mais genuinamente” sete espíritos. A Madre Maria dos Anjos se atém aqui a essa interpretação; mas na sua explicação do Apocalipse junta os dois.

As quatro rodas são as que descreve o Profeta Ezequiel (1,15), e por elas se entende também os intérpretes dos Santos Evangelhos.