A Serva de Deus Irmã Maria Rita de Jesus (1885-1965)

Das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora

Florinda Rosa de Oliveira nasceu a 23 de janeiro de 1885, na Freguesia da Vitória, na cidade do Porto. Ingressou na Congregação das Franciscanas de Calais, hoje, Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora. Assim, na primeira quinzena de janeiro de 1920, partirá para Calais, na França, para seguir sua vocação e receber a formação necessária para vida consagrada. Esta viagem marcará toda sua vida.

Na longa viagem, sente enfraquecer sua saúde, e contrai uma doença respiratória. Ao chegarem em Paris, lhe mostram a cama a ela designada, e nela encontra uma estampa do Menino Jesus de Praga. Será o encontro da sua vida. Assim escreverá:

“[…] O meu Real Menino lá estava à minha espera em Paris, à cabeceira da cama, lá encontrei o Bem Amado! Que alegria assim que O vi?…. De joelhos, orei e qual não foi [o meu espanto] quando pela manhã estava completamente curada para continuar a jornada até Calais, onde era esperada”.

Será nesta cidade francesa, onde Florinda entra em contato com um livro belga sobre a devoção ao Menino Jesus de Praga. Após o postulantado, Florinda ingressa no noviciado em 16 de julho de 1920, recebendo o nome de Irmã Maria Rita de Jesus.

Este período será importantíssimo para sua vida. Experimenta o chamado a uma vida de intimidade com Deus, nas coisas ordinárias, no trabalho e no serviço dos irmãos. Assim ela escreve: “No meu noviciado, senti sempre a meu lado o Meu Real Jesus – a ajudar-me nos meus trabalhos”.

Ainda em Calais, em 21 de novembro de 1921, com trinta e seis anos, Irmã Rita faz sua Profissão Temporária. Começa sua missão… Em 1924 é enviada a Argentina, onde serviu como enfermeira em difíceis condições. Em 1926, será enviada ao Porto, ao Colégio de São Dinis. Aí, em 21 de novembro de 1927, com 42 anos fará seus Votos Perpétuos de pobreza, castidade e obediência.

Com cinqüenta e um anos foi enviada ao Hospital de Santa Maria, no Porto, aonde exercerá sua missão, e onde sua influência espiritual reverberará em muitos.

A ponto de se formar um verdadeiro grupo de amigos e colaboradores que a ajudarão a realizar aquela Obra que Deus lhe pedia, será um grupo formado por elas nos caminhos de Deus, grupo cheio de dinamismo evangelizador, junto ao qual pela poderá exercer sua maternidade. Irmã Rita entendeu profundamente a missão dos leigos dentro da Igreja. Serão eles os colaboradores privilegiados desta missão pelo Reino de Deus!

Mas qual era esta Obra? Esta missão da Irmã Rita?

O MENINO JESUS

Na contemplação e na oração, o Espírito Santo a conduzirá à compreensão da beleza, grandeza e radicalidade destas palavras do Evangelho “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1, 14). Este mistério será o eixo central de sua existência.

Experimenta que sua vida de oração, se torna íntimo colóquio, chamado profunda à uma resposta generosa a obra de Deus.

Nesta íntima contemplação do Mistério da Encarnação, experimentará o impulso missionário que a fará trabalhar incansavelmente pelo Reino de Deus, pelo Reinado do Menino Jesus!  Assim, a realeza do Menino Jesus se tornará sua santa paixão, sua loucura de amor!

Sua oração se torna colóquio e Deus mesmo a impulsiona a trabalhar nesta obra:

Quero a minha Infância! Todos Me amam Crucificado! Todos Me amam no Coração! Todos me amam na Eucaristia! Só na minha Infância ninguém me ama! Na minha Infância que tanto sofri, em que tanto me abati! Abati-me como criança sem tino, sem inteligência! Ao mando de todos deixei-me embalar, deixei-me lavar, deixei-me vestir! O Deus Omnipotente! Pasmam os Anjos, pasmam os Arcanjos, os Querubins, os Serafins! Só tu, ó homem, deixas a minha Infância como coisa natural, como que não fosse o mesmo Deus Supremo de todas as cousas!

 Compreende-se a atualidade desta mensagem, ao lermos em seus escritos:

A minha paixão começou no estábulo de Belém. Quero reinar nas famílias, sofrer nas famílias, santificar as famílias, observar as leis da família. Quero rezar nas famílias, quero encorajar as famílias“.

Irmã Rita compreendeu a urgência da obra evangelizadora, especialmente junto às famílias, às crianças e à juventude. É preciso levar o Evangelho a todos. O Senhor a impulsiona a fazer entronizar o Menino Jesus em todos lugares: “As minhas entronizações é a principal base fundamental do tempo moderno!!! Na Igreja, nos lares, nas oficinas, nos ateliers, nos mercados etc”.

Entronizar é fazer reinar o Menino Jesus em todos lugares. E para esta missão, a imagem escolhida foi a do Menino Jesus de Praga, do Divino Rei Infante. Lemos em seus escritos:  “Veste-me de Rei! Até tenho repetido mil vezes. Veste-me de Rei […] a Igreja deve fazer culto Universal diante da minha Imagem, que Eu escolhi”.

 

MARIA MENINA

Já dizia São João Eudes no começo da sua grande obra “A Infância admirável da Santíssima Mãe de Deus”:

Enfim, este adorável Jesus, Filho de Maria e esta amável Maria, Mãe de Jesus, estando unidos pelo mistério inefável da Encarnação, da maneira mais divina e mais estreita que existiu ou que jamais existirá, nós não devemos jamais separá-los em nossos deveres e exercícios de piedade e de religião. É, por isso, que assim como não há hoje verdadeiro cristão que não tenha grande veneração pela divina Infância de seu Redentor, não há também quem não esteja obrigado a ter uma singular devoção pela Santa Infância da sagrada Mãe de seu Salvador”.

Assim fez Irmã Rita. Na sua profunda vida mística, pôde compreender e experimentar que Maria Imaculada, é caminho que nos conduz a Cristo. Assim foi lhe mostrado, como a Santíssima Trindade desejava que, unida à devoção ao Menino Jesus, fosse venerada a imagem de Nossa Senhora Menina da Apresentação Rainha.

O Espírito Santo a faz entrar na escola da Imaculada, para ser educada na Vontade de Deus.  Assim lemos em seus escritos:

Veste-me de Rainha! A minha sagrada imagem que vais fazer, tal como viste […] Rainha! Rainha! Na minha Infância de dois anos apenas! […] A imagem deve ser de menina e de rainha! […] A minha imagem pequenina para as meninas e a imagem do meu Divino Reizinho para os rapazinhos crescerem na graça de  Deus“.

Compreende-se bem que para Irmã Rita este Apostolado, estas Devoções – ao Menino Jesus e a Maria Menina – deviam ter um verdadeiro caráter apostólico, deviam ser um verdadeiro impulso evangelizador. Assim lemos em seus escritos:

Ponham nas catequeses as sagradas Imagens do Divino Reizinho e nossa Senhora Rainha Menina da Apresentação aos 3 anos no Tempo que ensina para os pais, para os mestres, para os educadores! Aos domingos na Missa da catequese formem Vassalos aos pés de seus Reis! Consagrem as crianças aos seus Reizinhos! Os seus Pastores cantem melodias aos Divinos Protetores. Consagrem-nas, aos domingos, antes ou no fim da catequese. Cantem antes ou depois aos Divinos Pastores. Sendo assim, as crianças serão amparadas pelos Divinos Pastores e guiadas na juventude. Serão resguardadas na vida…

A vida da Irmã Rita foi tecida de oração, de imolação silenciosa, de trabalho incansável pelos irmãos: uma vida consumida pelo amor ao Menino Jesus e à Maria Menina. Lemos em seus escritos:  “Tu és arauta de dois apostolados! A Infância de Maria Santíssima, Mãe de Deus Filho e a Infância e Realiza de Deus Filho […]”

Irmã Rita será incansável em fazer distribuir folhetos, e estampas. Distribuirá mais de quinhentas esculturas. Poderá fazer suas as palavras de São Paulo: ” Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (I Cor 916).  Será a grande Apóstola e Missionária do Menino Jesus e de Maria Maria!

Em 29 de maio de 1965 encontrará finalmente seu divino Esposo! Sua causa de beatificação já foi aberta e se encontra agora em Roma.


Bibliografia: Henrique Manuel S. Pereira. Rita de Jesus-Paixão pela Infância de Jesus, compaixão pela dor humana. FMNS Porto 1999.

Site: https://www.franciscanas.pt/Canonizacao-da-Irma-Maria-Rita


 ORAÇÃO

Senhor Deus misericordioso e compassivo, próximo da humanidade pelo mistério da Encarnação de Jesus Cristo, que destes à Irmã Rita de Jesus a graça de amar e difundir a devoção à infância do Menino Deus e de ser alento de confiança dos doentes e dos aflitos, concedei-nos a graça de… Isto vos pedimos para honra, glória e louvor de Jesus Cristo, que curou os doentes, consolou os tristes e deu conforto aos aflitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

Com aprovação eclesiástica

D. Armindo Lopes Coelho


Comunicar as graças recebidas para:

Casa de Nossa Senhora dos Anjos

Rua. Dr. Carlos Ramos, 50. 42000-155 Porto (Portugal)

irmamariaritadejesus@gmail.com