Santa Teresinha sacristã | Teresinha, Teresinha do menino jesus ...

A Doutora da Ciência do Amor, Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, no seu Poema “Porque eu te amo, Maria!”, escrito já nos seus últimos meses de vida, onde condensa sua doutrina mariana, escreve acerca deste período da vida da Mãe de Deus, onde seu “único asilo é a casa de São João”:

“Mas, Mãe querida, teu silêncio tão profundo

Não revela tão bem a nós que o Verbo eterno

Quer cantar Ele próprio o louvor da tua vida

Para poder encantar teus filhos lá no céu?”

As belezas do silêncios de nossa Mãe serão nosso encanto no céu. Qual deve ser seu esplendor e beleza?

Desejamos apresentar algumas considerações sobre a última etapa da vida de Maria Santíssima, que vai da Ascensão e Pentecostes até sua gloriosa Assunção.


Rainha dos Mártires

Este período da vida de Maria Santíssima; isto é, sua Solidão, que vai da Ascensão e Pentecostes à sua gloriosa Assunção, teve uma particular importância na espiritualidade da Beata Conchita Cabrera de Armida, inspiradora das Obras da Cruz.

Na sua espiritualidade e na da Família da Cruz é muito importante a meditação e aprofundamento desta Solidão de Maria, em que viveu unida à Cruz, como Rainha dos Mártires. Assim lemos em seus escritos sobre a Solidão de Maria:

“Essa etapa da vida de Maria é quase ignorada, sendo para seu coração manancial da amargura, a quintessência do martírio, a depuração do seu amor. E para o mundo fonte inesgotável das graças e a vida das misericórdias”.

E como viveu a Santíssima Virgem este tempo? Os escritos da Beata Conchita nos dão luz sobre este aspecto:

“Viveu como milagrosamente Maria, e só para comprar as graças que sua maternidade exigia para a humanidade”.

“Viveu para dar testemunho de Mim, em minha Humanidade, como o Espírito Santo o deu da minha Divindade”.

“Viveu para ser o instrumento material do Espírito Santo na nascente Igreja, como Ele era o divino e espiritual”.

“Viveu para dar o primeiro alimento a essa Igreja única e verdade e merecer no céu os títulos de Consoladora, Amparo, Refúgio de seus filhos”.

“Ao pé da Cruz nasceram seus filhos: minha morte lhes deu a vida no Coração de Maria, mas Ela, antes de morrer devia na terra manifestar essa maternidade comprando com as cruéis dores de minha ausência as infinitas graças presentes e futuras para seus filhos”.

“O martírio de Maria depois da Ascensão não foi tão somente pela falta de minha presença material, mas sofreu os crisóis mais tremendos do desamparo como o meu da Cruz e unindo-o o Eterno Pai ao Meu que comprou tantas graças.

Vergine Addolorata con i simboli della Passione by Paolo de ...

“O Coração de Maria comprou estas graças no martírio de sua Solidão desamparada, não dos homens porque tinha São João, os Apóstolos e muitas almas que a amavam intensamente; não da minha presença material, pois Ela se consolava com a Eucaristia, sendo sua fé muito viva e perfeitíssima, mas com o desamparo espiritual, desamparo divino da Trindade que se escondia dela… “

“Maria sofreu mais que todas as almas desamparadas, porque sofreu o reflexo do Meu desamparo da Cruz que não tem comparação nem linguagem humano para expressá-lo. Não é honrado este desamparo de Maria, este vivo e palpitante martírio de sua solidão, o martírio desolador do divino desamparo, que padeceu com heroico esforço, com resignação amorosa e sublime abandono à minha vontade”.

“A auréola especial de Mãe da humanidade, Maria a conquistou com seus martírios de solidão depois de minha morte; e acaso o mundo conhece, aprecia e agradece isto? Mas chegou o tempo de que os filhos sejam filhos e estimem esse coração destroçado com os martírios mais finos e sensíveis, para fazê-los felizes. Aí comprou então Maria milhões e milhões de graças para todos e cada um dos homens e é tempo de que lhe agradeçam”.


Eucaristia, Calvário e Igreja

Já antes, a Beata Maria de Jesus Deluil-Martiny (1841-1884), Fundadora das Filhas do Coração de Jesus, tinha encontrado nesta etapa da vida Maria Santíssima, luz e força para viver sua própria vocação.

A Beata Maria de Jesus compreendeu que na Obra que Jesus lhe pedia, deveriam ser honrados particularmente estes anos ocultos de Maria Santíssima.

Assim lemos em seus escritos:

“Parece que Deus tenha reservado aos nossos tempos a glória e a consolação de honrar com um culto especial e com particular imitação aquela fase da vida de Maria Santíssima que começada no Calvário, terminou na sua beatíssima morte.

Maria depois da Ascensão de Nosso Senhor permanece sobre a terra, sozinha  com suas recordações, sozinha com seu tesouro oculto na Eucaristia, sozinha com a esposa nascente: a Igreja, cujos inícios lhe eram confiados, e que devia nutrir com o sangue do seu Coração.

A Eucaristia, a recordação do Calvário, a Igreja; eis em que coisa se concentra a vida da Virgem Santíssima depois da Ascensão”.


Modelo de vida eucarística

Portanto, Maria Santíssima, neste tempo oculto de sua vida, viveu em plenitude uma “vida eucarística”. O Centro de sua vida era a Santa Missa.

Assim escreve o Padre Garrigou-lagrange, OP, na sua obra “A Mãe do Salvador e nossa vida interior”:

“A Santa Missa era para ela, em um grau que nem podemos supomos, o memorial e, em substância, a continuação do sacrifício da Cruz. É que sobre o Calvário, Maria teve o coração transpassado pela espada da dor; a força e a ternura de seu amor por seu Filho, lhe fizeram sofrer um verdadeiro martírio. O sofrimento tinha sido tão profundo, que a memória não podia perder em nada sua vivacidade, e era recordada por uma luz infusa.
Ora, sobre o altar, quando São João celebrava, Maria encontra a mesma vítima que sobre a Cruz. É o mesmo Jesus, que está realmente presente; não é somente uma imagem, é a realidade substancial do corpo do Salvador, com sua alma e sua divindade”.

Maria é portanto, nestes anos de sua solidão, modelo das almas eucarísticas. O douto Dominicano, a chama de “Modelo das almas hóstias”:

La Virgen eucarística – De Arte Sacra

“Ela dava graças pela instituição da Eucaristia, por todos os benefícios de que é fonte. Ela suplicava para obter a conversão dos pecadores, pelo progresso dos bons, para sustentar os Apóstolos nos seus trabalhos e seus sofrimentos até o martírio. Em tudo isso, Maria é nosso modelo, para aprendermos a nos tornarmos ‘adoradores em espírito e em verdade’.

“Aí, ela era o mais perfeito modelo de devoção eucarística. É por isso que pode nos ensinar, sem ruído de palavras, se nos dirigimos a ela, o que é o espírito da adoração reparadora ou de sacrifício na aceitação generosa das dores que se apresentam, qual deve ser nosso desejo de Eucaristia, o fervor de nossa súplica pelas grandes intenções da Igreja, e o que deve ser também nossa ação de graças por tantos benefícios”.


Mãe da Igreja

Também a Venerável Maria Teresa Dupouy (1873-1953), fundadora das
Missionárias do Sagrado Coração de Jesus e de Maria, a alma que recebeu uma missão “sacerdotal” muito atual, encontrou em Maria Santíssima, neste período de sua vida, seu modelo. Lemos nos seu Diário espiritual:

“Muito unida à Santíssima Virgem: “Maria conservava todas estas coisas em seu coração…” Palavras e luzes de Roma. Maria, depois da
Ascensão, será meu modelo. Deus lhe confia sua Igreja que nasce. Quando a obra divina cresce, ela se morre consumida de amor. Fazer de meus dias um ato de amor unida ao Amor: Despertar de amor, oração: encontro com amor etc.”


Meditemos neste período da vida de Maria, nossa Mãe. Que Ela nos ensine a Ciência da Cruz! Nos console nas noites escuras da nossa vida espiritual!

Façamos de Maria Santíssima, o modelo de nossa vida eucarística. Que ela nos ensine a viver de amor!

Que Maria, na sua Solidão, nos dê a graça de amar profundamente a Santa Igreja, nossa Mãe, e de interceder pelos sacerdotes!


Cf. Marie-Michel Philipon, O.P. Diario Espiritual de una Madre de Familia

Reginald Garrigou-lagrage, O.P. Mãe do Salvador e Nossa Vida interior.

Luis Maria de Lonjendio, O.S.B. Diario espiritual de la Madre Maria Teresa Dupouy.