dos escritos da Serva de Deus Madre Maria dos Anjos Sorazu


“Outra de minhas ocupações interiores no ano de 1904, antes do cargo de Abadessa, foi o trato e comunicação contínua com a Santíssima Virgem.

Oh! Sim, o trato e comunicação contínua com a Santíssima Virgem, minha Mãe, minha Mestra, minha Rainha, minha Senhora, minha alma e meu coração, sim, meu Coração, sim, porque o era, todas as noites, quando me retirava do Coro e na cela me entregava ao sono, repetia falando com Jesus. “Ego dormio et cor meum vigilat”.

Eu durmo, meu Jesus, mas vossa Mãe e minha, que é minha vida, minha alma, o centro do meu amor, meu Coração, vela, vela no Céu, onde impera em união convosco, e em meu nome e de todo o gênero humano vos ama, bendiz, louva e faz a corte; e no Sacrário onde acabo de deixá-la ocupada em vos fazer guarda de honra em união com os santos Anjos; e vela também nesta humilde celinha dedicada à sua honra e santificada com vossa divina presença; e, no fundo da minha alma onde mora por amor e graça. Posso, pois, dormir tranquila porque nada mal acontecerá convosco sob a vigilância de vossa Mãe e minha, que vos prodigalizará seus cuidados, carícias e fará vossa felicidade enquanto repousam meus sentidos e potências. Ego dormiat e cor meum vigilat.

Assim dormia, identificada com os sentimentos e aspirações da Santíssima Virgem, com meu pensamento fixo em Jesus, suplicando à Senhora que em meu nome o acompanhasse e prodigalizasse seus cuidados e carícias no Céu, no Sacrário, na Cela e em minha própria alma em união com Deus Pai e Deus Espírito Santo, com os Anjos e Bem-aventurados do Céu, que velam continuamente porque não tem necessidade de dormir.

Me surpreendia o sono repetindo Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito, e à Mãe de Deus e Rainha do meu coração, unida em espírito aos Anjos e Bem-aventurados”.

Cf. Autobiografía Espiritual, n. 405.