dos escritos do Servo de Deus Padre Dolindo Ruotolo (1882 – 1970)

“27 de abril de 1942- Dias atrás estava sozinho diante de Jesus e rezava. Brilhava o sol e ao redor tudo era silêncio.

Que grande coisa é uma igreja paroquial! Senti refluir nela todas as penas da paróquia, todas as alegrias, todas as lágrimas…
Dos janelões silenciosos parecia que com a luz se destilassem as lágrimas dos meus filhos e minhas filhas, porque aquela luz iluminava tanto eles quanto eu, e naqueles tênues fios do imponderável telégrafo da caridade, eu lhes mandava a minha benção e a minha oração.

Que aparelho transmissor de caridade, de paz, de amor, de benção e de vida é este grande coração da Paróquia, quando o Pároco não queimou nenhuma de suas válvulas de transmissão, isto é: a fé viva, a esperança, a caridade, a humildade, a oração que é a amplificadora de toda atividade sua, a confiança em Deus e a filial confiança em Maria Santíssima.

Rezava, estava sozinho, o mundo estava longe…

O Pároco é a sentinela, é o guerreiro, é o vigia de uma fortaleza. Ele deve ser a defesa de todos os seus paroquianos. Ele deve ser crucificado, imolado com Jesus. Despojado de tudo por amor, ele deve ter os braços sempre abertos da misericórdia, o coração rasgado pelo sacrifício, par ser refúgio por toda miséria e toda aflição.

Todas as almas para mim são nobres, não de sangue real, mas divino e os mais humildes, os mais pobres, são os filhos prediletos. As almas são sempre chagadas, tem sempre algo que nelas dói, queima, e tem necessidade de um grande tato de bondade e de caridade.

Me convenço sempre mais que as almas não se ganham com a dureza e com a força ou com as invenções da política humana; se ganham com a oração e com a luz do Espírito Santo”.

(Cf. Dolindo Ruotolo. Fui chiamato Dolindo, che significa dolore… … pagine d’autobiografia)