No dia 08 de dezembro de 1854, enquanto em Roma, o Beato Pio IX proclamava a Dogma da Imaculada Conceição; na Bélgica, uma piedosa viúva, mãe de 4 filhos, Émilie d’Oultremont (1818 – 1879), Baronesa d’Hooghvorst, rezava na capela do castelo familiar de Bauffe.

Na oração, a Santíssima Virgem se manifestou a ela, de espírito a espírito, em profunda contemplação. Ali, falava Coração de Mãe para coração de mãe.

“Jesus, meu Filho, subindo ao Céu, não deixou a terra, desde que habita na Eucaristia, mas não é o mesmo para mim.

Meu Coração de Mãe sofre por não poder mais estar lá para o cercar e o fazer cercar de adoração, de respeito, de ternura e de amor.

O que me aflige profundamente são os ultrajes, os sacrilégios, as profanações, os insultos de todo tipo, com os quais meu Jesus é inundado e dos quais eu não posso lhe consolar…”

Então, “com este Coração de Mãe que esquece e faz desaparecer todas as distâncias, Ela testemunhou para mim o desejo de se ver substituída na terra por almas que teriam por seu Divino Filho um ternura e um respeito todo especial, que seria feliz de vê-lo cercado por esposas fiéis, tendo por Jesus esta delicadeza de amor que se encontra no coração da mãe”.

“Em seguida, esta boa Mãe, com uma expressão de súplica, se posso me servir deste termo, que não esquecerei jamais, me disse que meu coração maternal devia compreender o Seu, e que ela contava encontrar em mim bastante amor para dar ao seu Filho bem-amado, que tinha me concedido tantas provas de sua ternura”.

Para realizar este desejo, Emilie fundará a Sociedade de Maria Reparadora, onde se consagrou com o nome de Madre Maria de Jesus. Também duas de suas filhas se consagrarão neste Instituto.

Maria de Jesus foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 12 de outubro de 1997.

Beata Maria de Jesus, rogai por nós.

(Cf. Renée Zeller. Une Mère dans le Cloitre. La Baronne de Hooghvorst. Paris. pg. 80-81)